segunda-feira, 14 de junho de 2010

Se o Dia é dos Namorados, a Noite é dos Solteiros!

Larguei o cigarro pela metade e o copo vazio ao lado do sofá; usei o remédio pra rinite; tomei um banho; passei o melhor perfume que tinha e corri pra uma festa de solteiros/as que fui convidado de última hora.

Valeu a pena.

Conheci pessoas animadas, divertidas, inteligentes e bonitas [numa festa de solteiros/as, essa não é bem a ordem dos adjetivos que a gente observa logo de cara – sejamos honestos].

Bebida vem, timidez vaise é que me entendem – e a confraternização passou do momento happy hour para momento terapia em grupo. Tudo muito válido, afinal, aprendi algumas coisas sobre as mulheres que não se aplicam às adolescentes da minha época de Ensino Médio.

1. As mulheres não se entendem. E elas não esperam que nós, homens, as entendamos. Querem apenas que a gente faça o que elas querem sem, necessariamente, serem entendidas.

2. Numa discussão conjugal, nem sempre – na verdade NUNCA – o argumento feminino faz sentido. E ela sabe disso. Tudo o que ela quer é que a gente finja que ela tem razão.

3. Se você tiver juízo e quiser terminar o bate-boca na cama, além de fingir que ela tem razão, você deve pedir desculpas pelo que não fez. FUNCIONA!

4. Entre o sertanejo e o funk; entre o chocolate e a pimenta; entre o beijo e o tapa; não seja imbecil. Mulher não gosta de extremos. O príncipe encantado não deve levar flores nem bater na princesa. Moderação é o macete. Eu disse M-A-C-E-T-E!

5. Cantada romântica não funciona, mas cantada de pedreiro é meio caminho andado. Se a mulher cair no riso e não te mandar embora depois de uma dessas, a chance existe.

6. Mulheres fingem que não têm interesse nos homens para testar a persistência masculina. Mas se elas disserem um NÃO bem alto e soletrado, esquece. Não vai rolar.

7. Não tem técnica melhor do que a indiferença. Vai entender...

8. Se uma mulher diz que não vai rolar nada antes de você tentar, é porque vai rolar alguma coisa.

***
Acreditem ou não, os tópicos acima não são fictícios nem saíram da minha cabeça. No dia seguinte resolvi testar o item 5 com quatro mulheres que conhecia. Consegui 2 telefones. Só faltou eu ser indiferente, mas esse é o ponto mais difícil...!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A desorganização de uma categoria

Uma audiência pública realizada hoje na Câmara dos Deputados colocou em discussão a necessidade do diploma na área de Comunicação Social. O debate tinha como objetivo contribuir para a análise da PEC 386A/2009, que determina a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo.

Sérgio Murilo de Andrade, presidente da FENAJ [Federação Nacional dos Jornalistas] criticou a ausência de representantes patronais, segundo ele “os mais interessados na queda do diploma”. Murilo explica que o principal argumento utilizado pelo STF [Superior Tribunal Federal] para a não obrigatoriedade da formação superior era a restrição da liberdade de expressão. “Um ano depois, o que mudou na liberdade de imprensa? De fato, hoje o espaço [meios de comunicação] está mais democratizado? Era mesmo o diploma que impedia a sociedade de se expressar livremente?”, questionou o presidente da FENAJ.

De acordo com Sérgio – e eu concordo com ele – o diploma nunca foi empecilho para a liberdade de expressão ou de imprensa. Ao contrário, é um dos instrumentos de defesa do direito à liberdade de expressão.

Pouco mais de um ano após a infeliz decisão do STF, os reflexos são visíveis. O presidente destaca, entre as principais e mais tristes consequências: fechamento de cursos de jornalismo, devido à baixa demanda de matrículas; aumento no número de pedidos junto ao Ministério do Trabalho e Emprego para registro profissional como jornalista; e queda no piso salarial da categoria.

A verdade é que agora não existem mais critérios para ser jornalista. O único é estar vivo. Como afirmou Sérgio, “não somos mais jornalistas. Nós estamos jornalistas”.

O jornalista e ex-deputado federal Aldálio Dantas afirmou que por mais dedicada e vocacionada que uma pessoa seja, o fato de ela na ter passado por uma faculdade e, consequentemente, não ter estudado disciplinas referentes ao jornalismo, faz com que ela não possua toda a aparelhagem necessária para a boa prática profissional. “Que compromisso com o jornalismo terá uma pessoa que se formou em outras áreas?”, questiona. Para ele, foi jogada fora uma luta de mais de 100 anos pelo ensino superior em jornalismo.

“Se derrubaram a Lei de Imprensa porque foi feita na época da ditadura militar [e por isso não a consideravam democrática], por que não elaborar uma lei atual e democrática?”, finaliza Aldálio.

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“Não existe mais critério. Não precisa, sequer, provar que é alfabetizado. Basta estar vivo”. A afirmação de Sérgio Murilo provoca desânimo. Desânimo e incredulidade numa “justiça” que acredita na desregulamentação de uma profissão para o exercício da liberdade de expressão. O contraditório disso tudo é que o argumento do STF soa mais como proteção aos que querem alienar a informação do que uma preocupação legítima com a causa.

Afinal de contas, a quem interessa a degradação de uma categoria profissional?

Pra mim, todos saíram perdendo: os jornalistas [de verdade e com diploma] pela falta de respeito com que sua profissão é discutida pelas maiores instâncias da lei; as empresas que se beneficiam com essa degradação [e aqui não estou falando das empresas sérias, comprometidas com o jornalismo de qualidade]; e os leitores, que têm prejudicado seu direito de informação com qualidade.

A decisão do STF não deveria causar espanto. Afinal, educação no Brasil não tem sido levada a sério. É levada de barriga...