domingo, 30 de maio de 2010

Palavras soltas são... rascunhos! [5]


Mesmo que pareça insano ou inapropriado
Se estiver no meio do caminho ou na direção errada
Mesmo que não faça sentido ou os 5 sentidos não sirvam pra nada
Na entrelinha da estrada uma rota está traçada...

A[pelo]

Pela luz que clareia a metade guardada
Pela janela indiscreta que não revela nada
Pelo atalho que aumenta o perigo da estrada

Vamos fingir que está tudo certo...

Pelo dinheiro que acaba antes de ser ganhado
Pelo tiro certeiro de um risco mal calculado
Pelo menino esperto que escolhe o lado errado

Vamos fingir que está tudo certo...

Pelo suspiro final da vida que não acaba
Pela moral da história que não serve pra nada
Pela mentira de toda verdade inventada

Vamos fingir que está tudo bem...

sábado, 15 de maio de 2010

Nota de rodapé

O gosto do beijo da paixão da adolescência chegou com 10 anos de atraso
E mostrou que, na época, era mesmo o gosto que eu queria ter sentido.
Como se não bastasse a covardia do tempo passado,
Ficou a previsão de um futuro – nesse sentido – perdido...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

No centro de um Planalto [não mais] vazio

Brasília entrou em minha vida como o risco de uma aposta de um jogo de azar: de maneira calculada, mas sem a certeza de qualquer coisa concreta. Planejei – muito tempo antes – estar aqui, mas vim parar num momento em que não imaginava.

Inegavelmente, Brasília entrou forte em minha vida.

De todos os lugares em que já morei, Brasília foi o primeiro que me possibilitou o maior contato comigo mesmo [pra não dizer solidão] que nenhum outro foi capaz. Isso não foi uma coisa [necessariamente] ruim. Aprendi [sem demagogia] que ser forte não é corresponder ao que os outros esperam de nós, mas sim superar nossas próprias limitações, medos e, sobretudo, verdades relegadas a um segundo plano. Neste caso, Plano Piloto!

Antes dos 20 anos, todas as situações que passavam em minha cabeça não tinham mais de 2 anos. Hoje, facilmente me lembro de coisas que passam [na soma das datas] da casa dos dois dígitos.

Hoje meu irmão me ligou duas vezes. Na primeira, queria saber o que eu queria falar com ele ontem. Na segunda vez, trocamos ideias sobre o presente que daremos à nossa mãe no dia das mães. Quase que como pecado, essa segunda ligação eu atendi dentro de um auditório com cerca de 200 pessoas que assistiam a uma palestra. Eu trabalhava. Tinha que escrever uma matéria sobre o assunto. Foram 5 minutos de ligação que me abstraíram da discussão importante que havia ali.

De qualquer maneira, falar com meu irmão naquele momento foi prazeroso. Até os sintomas da minha sinusite diminuíram. Combinamos, então, voltar juntos para casa. Residências separadas pela distância correspondente a duas estações de metrô.

Foi a primeira vez em 13 anos que andamos juntos de transporte coletivo [era isso que eu queria dizer com o 4º parágrafo!]. E me lembrei, com isso, de que nossas vidas de união fraternal sofreram um corte de tempo. Pouco depois ele se mudou para Brasília. No dia de sua partida, eu não consegui chegar do trabalho a tempo de levá-lo à rodoviária, dar um abraço e dizer o quanto eu o amava. Não queiram saber o quanto isso dói.

Por isso que estar com ele hoje foi tão especial. Fui recebido com um abraço apertado e um beijo na bochecha [nossa família não se importa em demonstrar afeto]. Em menos de 50 minutos conversamos sobre muitas coisas: consulta média, insatisfação com o trabalho, parentes distantes, viagens, férias. E, diferentemente da última vez em que andamos juntos de transporte coletivo, não brigamos. Porque naquela época meu irmão era um adolescente que achava todo mundo chato. E eu era, de fato, o chato que ele achava.

Nesses últimos 13 anos muita coisa mudou. O Gu tem seu próprio carro agora [o motivo dele estar a pé hoje foi porque a esposa dele voltou mais cedo – com o carro – pra casa]. Eu continuo durango e à pé! Mas se teve algo importante que se manteve foi o meu olhar seguindo suas costas ao sair da estação, como quem deseja ter um pouco daquela segurança e paz de espírito.

Brasília trouxe meu irmão de volta.

Agora eu sei que saudade é só uma noite mal dormida...

domingo, 25 de abril de 2010

"Alguma coisa acontece no meu coração..."


Se eu devo R$ 70 e pago R$ 40, então eu ainda devo trinta reais. É isso mesmo, né?!”, perguntou-me andando em ritmo acelerado um [suponho, pelo sotaque] capixaba. “É que eu ando com a cabeça meio ruim pra fazer contas”, confidencio-me, sem saber que eu nasci ruim pra fazer conta.

Eram 19 horas do dia 22 de abril e eu caminhava do Setor Comercial Sul até a Rodoviária do Plano Piloto. Já estava bem de frente para a Esplanada dos Ministérios, palco das comemorações dos 50 anos da capital federal.

Brasília tem dessas coisas...

Sampa, de Caetano Veloso, em muitas partes poderia ter sido escrita para Brasília.

Da força da grana que ergue e destrói coisas belas [...] eu vejo surgir teus poetas de campos e espaços [...]”. Essa parte é uma delas.

Por outro lado, “da dura poesia concreta de tuas esquinas [...]” de longe denota a realidade do concreto que “paira no ar” aqui. Também não poderia rimar o verso “da feia fumaça que sobe apagando as estrelas”.

Brasília é realmente uma cidade que desperta sensações indescritíveis. Nem vou tentar escrever o que sinto. Eu não daria conta.

A geografia de Brasília permite que o céu seja o mais bonito que pode ser visto de uma cidade. Iguala-se apenas com o céu da zona rural. As estrelas não brilham: irradiam. A simetria – até das curvas – é de encantar ao mais atrevido coração.

Em Brasília, como em qualquer outro lugar do mundo, tem pessoas com desejos, sonhos, trabalhos e perspectivas. Mas não é como qualquer outro lugar do mundo. Portanto, seus 50 anos não representam os mesmos 50 anos de qualquer outro lugar do mundo.

Brasília, por ser o centro político do país, concentra enorme corrupção. Mas não é disso que quero falar.

Quero lembrar que esta cidade, na qual sempre quis morar por algum tempo sem entender o por que dessa minha necessidade, nasceu de uma enorme pretensão de mudança. Foi construída como se constrói uma casa. E, assim como tal, abriga moradores ansiosos por vidas melhores.

Estar aqui nesse momento, pra mim, é um privilégio. É como se a história percorresse minhas veias e, ao chegar ao coração, parasse.

Acho que é disso que somos feitos: história.

De qualquer forma, “alguma coisa acontece no meu coração...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Intimidades

Sinto-me como a sombra projetada pela escuridão
Invisível.
Penso, sinto, sobrevivo e acredito
Existo.
Sou verdade sem saber. É o que se chama de intuição.

A verdade é que Brasília me desperta uma solidão enorme...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Rapidinhas [ui!]

Amigo, fiel e companheiro. Foi isso o que eu ouvi uma menina dizer em um programa de TV quando respondia ao apresentador o tipo de homem que procurava.

Mulherada, vocês querem um namorado ou um cachorro?

***

Acessibilidade não é o forte de Brasília. Aqui é uma das poucas cidades que conheço onde, na maioria dos bares, para ir ao banheiro é necessário subir escadas.

Conclusão: os comerciantes são uns fela da mãe e os bêbados são parceiros bagarai!!!

***

Se dinheiro fosse bosta, pobre nasceria sem cu. Que falta de sorte! A galera acertou os números da Mega Sena, mas não ganhou o prêmio.

Conclusão: levaram uma bolada!

***

Minha companhia no sábado a tarde foi o primeiro violão que comprei há 5 anos. Lembro que cada uma das 10 prestações de R$ 40 reais parecia ser de R$ 400. Se eu soubesse o que isso representaria hoje, teria pagado com mais alegria.

É incrível como o valor de comprar sonhos com o próprio esforço faz tão bem.

Pai, mãe. Perdão. Mas agora preciso deixar de pagar o aluguel pra comprar uma guitarra elétrica...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

No espaço dos outros é refresco!

O Rascunhos do Rapha sempre me deu a possibilidade de transpor alguns sentimentos para a grande sala do mundo que é a internet. Esse é um prazer do qual não abro mão.

Mas, às vezes, o espaço deste blog, assim como outros espaços, fica um pouco limitado.

É por isso que, aproveitando o espaço [ui!] do Navarros, tenho experimentado a risada através do texto.

Todas as quintas-feiras, no HUMORena, um novo post meu. Uma maneira descontraída de comentar as grandes piadas que acontecem no centro do Poder. Mergulho que começa em Brasília e respinga no resto do país.

Por enquanto, há três posts: este, este outro e este aqui!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Candango

Lelo Marques esteve em Brasília. Veio passar uns dias, descansar e conhecer o Planalto Central.

Uma câmera, um violão e muita coisa torta na cabeça. A improvisação pede um vexame registrado!

O resultado foi esse:



O metrô ta foda.”
Eu também tô foda!

Ainda bem que sabe...

Valeu pela visita, Lelo! Volte sempre.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Impressões de uma Brasília feminina

Olhos que escondem segredos distantes
Castanhos do tamanho da escuridão: distância maior que a distância entre nós.

Pele macia que arranha o desejo que sinto
Que guarda o cheiro do sonho que lembro ter tido na infância.

Parte de um texto perfeito, embora ainda inacabado
Simetria na curva que desmancha a linearidade calculada.

Espaço impróprio pra dor ou qualquer coisa que não seja afeto
Vontade que brota nos olhos e desejo que escapa da boca...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Pode ser...

Pode ser que eu me afogue nas palavras que silencio
Por acreditar que falar é bobagem quando os olhos se encontram.
Pode ser que eu perca a certeza se a escolha não fizer diferença
Ou defenda uma coisa que eu não goste só por saber que é verdade.
Porque uma parte da vida é o que existe. Mas a outra é o que sonhamos.

Pode ser que um segundo seja todo o tempo que preciso
Pra fazer o que fingi acreditar por uma vida inteira.
Pode ser que o castigo seja o que a gente mais queira
Só pra testar nossas habilidades como seres humanos.
Porque a rosa é espinho e beleza. Mas não é dessa Rosa que escrevo.

Pode ser que o cinismo não seja defeito
Se a provocação faz a pessoa pensar sobre as coisas que omite.
Pode ser que o vazio nos basta para sempre
Se precisamos de tão pouco para a verdadeira e perene felicidade.
Porque uma parte da essência é o que dizem. Mas a outra é o que acreditamos.

sábado, 31 de outubro de 2009

Palavras soltas são... rascunhos! [4]

Como se a sombra afogasse os desejos que sinto
Como se a luz ofuscasse as coisas que digo
Como se a voz preferisse o que silencio
Sobra o calor do seu corpo no ar que respiro...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Palavras soltas são... rascunhos! [3]

O amor não é cafona. Só está fora de uso...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Palavras soltas são... rascunhos! [2]

Acordei - simultaneamente - com uma vontade inexplicável de ser feliz e um medo gigante de que alguém, por qualquer motivo, me tire isso. Viver é uma antítese...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Pouco importa – ou tanto faz!

Tanto faz o caminho se a chegada é a vitória
Pouco importa o barulho se o desejo é a calma
Tanto faz o mergulho se a piscina é rasa
Pouco importa a preferência se a escolha é da alma.

Tanto faz o que digo ou as coisas que escrevo
Pouco importa a coragem se o vício é o medo
Tanto faz o desejo se o que posso não quero
Pouco importa a novidade se o fim é o tédio.

Tanto faz os sentidos se não massageio seu corpo
Pouco importa o tempo se meu sonho é o seu rosto
Tanto faz o segredo quando alguém foi exposto
Pouco importa a outra pessoa se eu te quero de novo.

Tanto faz a ciência se a fórmula não é exata
Pouco importa a chance se já foi esgotada
Tanto faz o emprego se não serve pra nada
Pouco importa a verdade se for inventada.

Tanto faz porque pouco importa. E as duas coisas não são [necessariamente] a mesma.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Diploma já era... [Parte 3]

Não sei de onde foi que o STF [Superior Tribunal Federal] tirou a idéia de que desregulamentar a profissão de jornalista é uma atitude sensata.

Lá no HUMORena meu amigo Navarros vive encontrando pérolas jornalísticas de quem passou pela faculdade. Se com estudo a coisa já tá feia, imagine sem!

Olha só a merda que a falta de regulamentação pode causar:



***

E você, jornalista [diplomado], achando que tem problemas...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Palavras soltas são... rascunhos!

Distâncias geográficas não são distâncias afetivas...

sábado, 18 de julho de 2009

Sinestesia

Mais do que viver, às vezes gosto de simplesmente sentar e ver a vida passar.

Acontece que observar pode ser mais instrutivo do que quebrar a cabeça na constante batalha da vida.

E é interessante ver como as pessoas são diferentes e, por esse motivo, o mundo é o reflexo de tantas escolhas opostas. Mas parece que de tão diferentes as coisas se repetem. Os sonhos são iguais, mas ninguém consegue realizá-los, e isso não deixa de ser engraçado.

Acho que somos eternos caçadores de coisa nenhuma!

Talvez nossos sonhos não se concretizem porque nunca estarmos satisfeitos com o que alcançamos.

Se não aprendemos nada com as coisas que vemos, com os sons que sentimos e com as cores que respiramos, então alguma coisa está errada.

É o círculo vicioso da burrice que se perpetua com os conceitos que guardamos sob nossas hipocrisias.

sábado, 11 de julho de 2009

Músicas que eu queria ter feito [Parte 6]

Fascículos musicais

Desde que me entendo por gente o Roberto Carlos canta sempre as mesmas músicas nos especiais de fim de ano da Globo. Até certo ponto, isso é chato, mas não é tão insuportável quanto ter que aturar o Galvão narrando jogos de futebol e corrida de Fórmula 1.

O que quero dizer é que, apesar da repetição, as músicas do “Rei” são poesias. Não estou dizendo que sou fã incondicional do cara, mas assumo aqui que gostaria de ter feito algumas das canções que ele compôs.

Se ainda hoje são as mesmas músicas que tocam [entre um repertório de mais de 300 canções] quer dizer que elas fazem sentido não apenas a mim, mas a muita gente. Muita gente mesmo!

E isso é um mérito que não é qualquer um que consegue.

Então, no dia em que o Rei faz uma mega apresentação com seus maiores sucessos [mais uma vez ouviremos as mesmas músicas] para comemorar 50 anos de carreira, minha homenagem é selecionar uma de suas músicas para dizer que eu gostaria de ter feito.



***
Diga o que quiser, que é cafona, brega, música de dor-de-cotovelo, o que for, mas chega pra uma mulher, cante uma música dessas e diga que você fez pra ela.

Meu filho, não tem mulher que não saia no tapa por sua causa!

PS: Escolhi este vídeo por ser o clipe mais recente e também por ter a participação da Mariana Ximenes [não necessariamente nessa mesma ordem...]

sábado, 4 de julho de 2009

Herdeiro de uma riqueza não palpável

Hoje acordei com o peito vazio. Deve ser saudade da metade do meu coração que deixei com meu pai e minha mãe.

Como todo ser humano, só depois que a gente perde a companhia diária dos pais é que começamos a perceber o quanto isso é determinante pra gente manter o brilho nos olhos que todo mundo acha que é coragem, mas, no fundo, é a certeza do amparo do pai e da mãe que mantém aceso isso.

E o pior é que a gente nunca consegue retribuir como deve ou como quer. Sempre falta alguma coisa. Falar é tão complicado...

Mas a memória nunca esquece.

Lembro da minha mãe exigindo que eu e meu irmão tirássemos 10 em todas as provas da escola. Meu irmão sempre teve a melhor cabeça da família. Tirar 10 pra ele, naquela época, era tão fácil como eu surrá-lo na sinuca hoje em dia. Por conta da minha incapacidade de estudar, sempre me contentei com os 9.5 das provas. Na primeira vez que consegui um 10, minha mãe disse “você deveria ter tirado 11”! Lógico que na época eu fiquei inconformado, mas hoje entendo perfeitamente o que ela queria me dizer com aquilo. E foi assim que minha mãe me fez perceber que dedicação é mais do que aquilo que você espera de você mesmo – tem a ver também com o que o mundo espera da gente. Cada um tem a opção de ser grande, pequeno ou medíocre. Dependendo do que escolhemos, é da mesma maneira que o mundo vai tratar a gente.

Do meu pai lembro sempre da sua atitude altruísta. A vida inteira ele fez tudo o que podia pelos filhos. Foram poucas as vezes que apanhei dele – e minha mãe morre de ciúmes disso! Pra falar a verdade só lembro de ter apanhado do meu pai uma única vez. E lembro também da maior surra moral que ele me deu. Não me lembro o motivo, mas num certo dia minha mãe dedurou alguma arte que fiz. Meu pai me chamou no quarto e pediu pra que eu explicasse a minha versão da história. Terminei de contar a novela na mesma hora em que ele tirava o cinto. Pensei “phodeu!”, mas o que ele disse foi “eu não vou te bater, mas nunca mais quero que isso se repita”. Enrolou o cinto, guardou na gaveta e foi tomar banho. De lá pra cá, foram muitas as vezes em que levei bronca dos dois, mas nunca pelo mesmo motivo. Isso por conta de dois fatos – necessariamente nessa mesma ordem: primeiro porque me senti importante, aos cinco anos de idade, ao saber que meu pai, um adulto, se interessava em saber a versão de uma criança; segundo porque não apanhar naquele dia me mostrou que a vida sempre tem muitas opções e saídas para qualquer problema.

A verdade é que certas coisas a gente nunca aprende, se acostuma ou se conforma. Se existe algo que nunca vou conseguir é lidar com essa distância geográfica que me separa do abraço de meu pai e do beijo de minha mãe.

Saudade é unidade de medida,
Amor é a ciência exata da vida.