quarta-feira, 20 de abril de 2016

Melissa

Sabes que sou um menino
sei o que queres da vida
sabes que nossos desejos
são beijos que não se combinam

Sei o que pensas do acaso
sabes que ando sem norte
sei que seus olhos traduzem
o que sua boca me esconde 

Sabes que vivo na lua
sei que tens os pés no chão
seguindo por trilhas de sonhos
que abrem o seu coração 

Sei que o silêncio encontra
no escuro o abrigo perfeito
sabes que amor é verdade
na tarde de um dia sereno

Sabes que a vida te guarda
um canto pra ser o seu lar
sei que o infinito é a medida
do abraço que quero te dar

Sei que carinho é virtude
que surge sem se explicar
sabes que os meus defeitos
explicam meu jeito de amar

domingo, 10 de abril de 2016

Era ela

Era feito sonho bom
era dom de bailarina
era sempre a coisa certa
cada palavra que dizia

Eram sinceros os seus gestos
era cantiga o que eu ouvia
na magia de seus lábios
toda vez que ela sorria

Era dela o meu mundo
e tudo o que eu desconhecia
era ela a me guiar
pelos caminhos de euforia

Era dela a virtude
que alude ao milagre
da lembrança de um romance
que não houve de verdade

Era dela a risada
que meu coração amava
feito sombra no silêncio
da canção inacabada

Era quase sem querer
que eu queria o beijo dela
sem haver qualquer motivo
ela era parte do que eu era

Eram tantas outras coisas
que meu coração pedia
mas era ela a única certeza
que meu coração sabia

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Licença poética

Hoje foi o dia
de deixar a porta aberta 
à espera do milagre
que se faz acontecer

Hoje foi o dia 
de tocar a sinfonia
que embala a bailarina
pro poeta escrever

Hoje a minha alma
conheceu a sua história
e [quando viu que era hora]
te chamou para dançar

Hoje foi o dia 
que o sonho do menino
sem clareza dos caminhos
encontrou seu próprio lar

Hoje o dia foi sereno
como o tempo finge ser
cavalheiro do futuro
que pretende acontecer

Hoje o dia foi silêncio
que me fez compreender
nas entrelinhas do destino
que o milagre era você

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Quando for a hora

Quando o mundo fica louco
e o tempo perde a hora
quando o lar fica vazio
e o vento bate a porta

Quando todas as estrelas
se apagam, como agora
é sinal que o destino
te abraça e leva embora

Quando a música acaba
e o silêncio incomoda
seja por qualquer motivo
a lembrança te assombra

Quando nada faz sentido
na razão que não encontra
o motivo do desastre
que ficou por sua conta

Quando tudo que for triste
decidir te abandonar 
vai abrir novos caminhos
pr'alegria se instalar

Quando for inevitável 
que o sol volte a brilhar
vai haver inspiração 
pr'outra história começar

Quando for a hora certa
a paciência vai mostrar
que a vida tem espaço
pra você em algum lugar

Quando for a hora certa
o perdão vai imperar
mas, por hora, sou menino
que precisa esperar

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Em tempo

Deixe a sorte te guiar
o amor te convencer
deixe tudo que é bonito
e infinito te acolher

Deixe o dia amanhecer
e a tristeza ir embora
o que não cabe em seu amor
é melhor que vá agora

Deixe a página virar
e o futuro acontecer
deixe o dia ser perfeito
e o improviso te render

Deixe a porta entreaberta
à espera da chegada
da esperança que renova
os caminhos da jornada

Deixe a foto na estante
que guardou o seu sorriso
ouça a palavra repetida
que ganhou novo sentido

Deixe a calma te mostrar
a verdade com clareza
intuição é o instinto
mais bonito da nobreza

Deixe os braços estendidos
como quem quer alcançar
toda sorte que deseja
e um dia vai chegar

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Eu sei, eu sei..

Sei que brilha um futuro
e um sorriso sem querer
entre o dia que acaba
e o que vai amanhecer

Sei que o tempo cura tudo
e o afeto é a medida
do abraço que acalma
e do colo que abriga

Sei que o beijo é silêncio
que se espera escutar 
sem fazer qualquer esforço 
ou pretenção de encontrar

Sei que o mar é infinito
se quiser que ele seja
com mensagens em garrafas
com o amor que se deseja

Sei que a vida é privilégio 
de destino improvisado
é o erro que completa
o poema inacabado

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Nuances

Parecia a neblina
que ofusca o caminho
e confunde os instintos
destemidos do andarilho

Parecia a meia noite
ao sol de meio dia
era como a brincadeira 
no sorriso da menina

Era abrigo a céu aberto
descoberto teto acima
era a falta de argumento
que o tempo repetia

Parecia desatino
a solução que eu não via
no lugar que habitava 
todo sonho que existia

Parecia que era sua
toda a sorte que havia
e camuflava a verdade
da angústia que era minha

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Aos poucos [e pra sempre...]

Aos poucos e pra sempre
como sempre, sem querer
como a vida que insiste
sem qualquer razão de ser

Aos poucos e pra sempre
paciente e com calma
com os olhos no futuro
e nos sonhos de agora

Aos poucos e pra sempre
mas - nem sempre - com certeza
mesmo quando sua força
for mentira indefesa

Seja a calma esperada
em resposta ao socorro
que acontece a todo instante
para sempre e aos poucos

Aos poucos e pra sempre
desejado ou descontente
apropriado ou confuso
planejado ou de repente

Aos poucos e pra sempre
se acostume que a vida
é movimento inesperado
que inventa a bailarina

terça-feira, 5 de maio de 2015

As [des]vantagens de ser invisível

Uma hora você está ali.

Mas não existe.

As pessoas notam, mas não comentam. É a praticidade do silêncio, mas sem o seu conforto.

É a sua câmera que dispara a foto. O para-brisa do seu carro é a moldura. 

Tem seu coração naquele instante. Mas não é suficiente.

Sua participação é incidental. Não há nada que comprove, mas sua intuição diz que se não fosse a parte pragmática da coisa [a carona, a ajuda, o ombro] você não seria necessário.

Há o desafio de ser honesto com o que se quer da vida. E há a desonestidade do que a vida te oferece e você, ordinariamente, aceita.

Uma hora você já não está mais ali.

Já esteve. Talvez, ainda continue. 

Só não faz mais diferença.

Sobram cinco minutos. Você os desperdiça como o gole que fica no fundo do copo e não será usado porque a sede já foi saciada.

Você respira, alinha o peito e acredita estar satisfeito com a decisão que tomou. Todo rompimento é necessário para o recomeço.

Você já foi embora. E ninguém percebeu.

Na verdade, você nunca esteve ali...

terça-feira, 14 de abril de 2015

Canção pra abraçar Aline

Não se afobe não, morena
tudo passa devagar
tudo passa acelerado
cada coisa em seu lugar

Soberano é mesmo o tempo
que ensina a acalmar
o coração que está aflito
com vontade de chorar

Não se afobe não, morena
hoje o dia foi de sol
como olhos que iluminam
feito as luzes de um farol

Hoje o sonho é permitido
e o carinho é a medida
do abraço que te acalma
e do beijo que te brinda

Não se afobe não, morena
já não há o que temer
enquanto voa o beija-flor
faço um poema pra você

Não se afobe não, morena
tudo isso vai passar
não há dor que seja eterna
meu amor vai te ensinar

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Aconchego de Brasília

Era a seca planejada
projetada sem esquinas
era palco com guerreiros
e trincheira com artistas

Era estrofe inacabada
que o poeta escrevia
sob as luzes de estrelas
com certeza indefinida

Era sonho prometido
de tamanha ousadia
habitando os ministérios
e os mistérios desta ilha

Eram eixos, superquadras
Esplanada, tesourinhas
e um lago para o alento
do calor que entorpecia

Era vida insistente
num lugar que não havia
outra chance pra dar certo
sem a fé que persistia

Era o verbo a conjugar
o futuro que previa
os encontros necessários
no aconchego de Brasília

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Embora

Vai levar o tempo embora
como a dança que acaba
como o sonho que termina
e a chance que se esgota

Vai deixar o seu abraço
que ficou pela metade
feito a sobra de ousadia
na coragem do covarde

Vai custar passar as horas
e o sono ter efeito
vai faltar alguma peça
no amor que era perfeito

Vai faltar a melodia
na canção inacabada
por capricho do destino
que navega em água rasa

Vai embora feito sombra
que deixa a luz ficar 
iluminando o caminho
esperando ela voltar

Vai embora por um tempo
até a vida aconchegar
em outro dia o mesmo sonho
que espera o seu lugar

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Noite adentro insônia afora

Da janela do meu quarto
vejo as luzes de Brasília
que clareiam as insônias
solitárias como a minha

Ouço a chuva dando trégua
e o silêncio ser quebrado
pelo alarme que dispara
de um carro estacionado

Eu escuto a coruja
que enfeita a madrugada
como acordes que completam
a canção inacabada

Vejo a lua em seu mistério 
anunciar em serenata
a riqueza do tesouro
no navio que naufraga

Sinto o tempo fazer graça
de pirraça com o sono
que escapa sem motivo
como a sorte de seu dono

Sinto o cheiro da manhã
e o cansaço que antecipam
outra noite de insônia
sob as luzes desta ilha

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

No abraço de criança

Qual a hora da verdade
o que tem mais importância
o que é maior que o amor
e toda a sua irrelevância

O que é especial
ou merece tolerância
será a nossa inocência 
ou a nossa ignorância

Onde o vento já não chega
e o tempo não avança 
o finito não se conta 
o favor que é cobrança

O que finge ser perfeito
pelo jeito não se banca
feito ouro sem garimpo
ou herdeiro sem herança

Qual a data do passado 
que o futuro não alcança 
qual o alvo que se acerta
com a flecha da lembrança

O que é definitivo
qual o ritmo da dança
porque a vida é improviso
no abraço de criança

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Quase nunca

Às vezes
quando o tempo perde a hora
o futuro é agora
e cansaço é solidão

Às vezes
o destino é desencontro
quase nunca é tempo todo
e amor é empolgação

Às vezes
quando faltam as palavras
quase ditas, esgotadas
só pensadas, sem sentido

Às vezes
quando fico meio bobo
perco a voz ou fico rouco
quase fico divertido

Às vezes
é a sombra que aponta
o que a luz não se deu conta
de mostrar o que faltava

Às vezes
é a curva da estrada
que te salva da emboscada 
que o destino preparava

Às vezes
alegria passageira
de vizinha fofoqueira
é novidade envelhecida

Às vezes
o acaso é o motivo
de alguma raridade
que acontece todo dia

Às vezes
quando a vida já não anda
porque falta na ciranda
o abraço da criança

Às vezes 
é a sorte que me falta
como um deus que perde a calma
com a falta de esperança

Às vezes
a mensagem encabulada
da pessoa inesperada
é respiro que renova

Às vezes
dá saudade de um tempo
das lembranças que o vento
como pipa, leva embora

domingo, 2 de novembro de 2014

Tudo de novo


Sabe quando o tempo desafia
e insiste em não passar
e a novidade é a lembrança
que já estava em seu lugar

como as tardes de domingo
é assim que eu me sinto

Sabe quando a madrugada avança
e o sono vai embora 
e a coragem que faltava
chega tão fora de hora

o seu sonho esquisito
é o mundo que habito

Do jeitinho como a vejo
e a beijo em meus sonhos
devagar
como a embalo em meu abraço

Como a urgência que eu tenho
por você o tempo todo
um dia desses
vou viver tudo de novo

Lembra a certeza que eu tinha
com o futuro em minhas mãos
era vontade insistente
que percorria a contramão 

do bom senso que gritava
os sinais que a vida dava

Chega o lamento é o canto
que não merece ter a voz
não representa o universo
do amor que havia entre nós

o amor que eu desejo
só descubro em seus beijos

Do jeitinho como a vejo
e a beijo em meus sonhos
devagar
como a embalo em meu abraço

Como a urgência que eu tenho
por você o tempo todo
um dia desses
vou viver tudo de novo

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Coração de menina

Seu coração de menina
Que faz de brinquedo o tempo
Carrega coragem de sobra
Confia e guarda segredos

Coração de menina é o seu
Que abraça com sinceridade
Abraço que cura sorrisos
Abraço que deixa saudade

Ensina caminhos bonitos
Lições que eu desconhecia
Sereno como um bom amor
É o seu coração de menina

O canto embaixo de chuva
Perfeito poema sem rima
Escada para o horizonte
Encontros em cada esquina

Passeio de fim de semana
Criança sorrindo pra vida
Serestas pelas madrugadas
Desejo ao seu coração de menina

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Tardes de domingo

Hoje o dia está estranho
e não há o que fazer
já não há o que ser dito
nem história a reescrever 

Não há causa sem efeito
feito sorte sem promessa
dia estranho, esquisito
e não é de brincadeira

E não é de brincadeira
essa tristeza passageira
começou há um segundo
e vai durar a noite inteira

Hoje o dia está estranho
e me sinto esquisito
sabe as tardes de domingo?
é assim que eu me sinto

Feito a sombra inexistente
abandonada pelo sol
que procura o seu abrigo
rastreando algum farol

Sei que a tristeza é passageira
de mal gosto e corriqueira
sem fazer qualquer sentido
vai doer a noite inteira

E não é de brincadeira
mesmo sendo corriqueira
certa hora vai embora
embora doa a noite inteira

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Quando falta o assunto

De todas as formas
por todos os lados
um tiro certeiro
no alvo errado

Um pouco de tudo
junto e misturado
a fome que enche
o fundo do prato

O seu olhar para baixo
quando falta o assunto
deixa entrar o silêncio
que até hoje escuto

A chance perdida
o caminho trilhado
a hora do beijo
no tempo esgotado

A mensagem que falta
no verso inacabado
não traduz o desejo
do poeta calado

O seu olhar para baixo
enquanto peço perdão
é a nota que falta
mas completa a canção

O convite aceito
pra um filme ruim
a confissão que esconde
uma parte de mim

A discrição barulhenta
o exagero contido
a saudade que aumenta
com o tempo perdido

O seu olhar para baixo
enquanto escuta a canção
deixa escapar um sorriso
que eu já conheço

terça-feira, 10 de junho de 2014

Rascunho de poesia

Sou um doido que canta uma coisa qualquer 
Pra tentar ser inteiro - ou o melhor que puder
Sou o que não se sabe ou o que já se esqueceu
A saudade que fica do amor que morreu

Sou a caixa vazia das suas lembranças
De um tempo feliz, de integridade sacana
A edição de um filme feito em cima da cama
Honestidade fingida, suavidade profana

Sou a vela que acaba, a luz que se acende
A estrada molhada, o calor do acidente
Sou o prato vazio da fome que só aumenta
A sobra da escassez, o amor que alimenta

Sou o dinheiro que acaba, a dívida que aumenta
O sonho que entala na passagem estreita
Sou o tempo esgotado, a falta de sorte
A brisa da madrugada, a cicatriz de um corte

Sou a metade de um papel com a confissão de um crime
Sou a caneta sem tinta que assina a sentença
Diferente do que fui ou serei
Menor do que quero e maior do que sonhei

Sou a metade de uma esquina 
Que não sabe pra onde vai e nem onde termina
Rascunho de poesia...