domingo, 22 de abril de 2007

Alucinação


Foi a época em que filmes de terror, assombração, animais peçonhentos, nota baixa na escola, reprovação no vestibular e corte de mesada me causavam medo.

Agora o terror nasce da política, da violência, das notícias “jornalísticas” que desinformam as pessoas, do cartão que não passa na loja porque o sistema está fora do ar e do “chifre” que a gente acredita que um dia vai levar.

Eu queria ter a paz de quem segura uma nuvem com as mãos [igual na foto acima, do Bruno Navarros] . A tranqüilidade que encontro num belo par de olhos. O bom senso que todo mundo escreve e nunca alcança. O poder de ver a reação da pessoa que recebe uma mensagem minha no celular [tarde da noite].

Eu queria ser o ideal que não existe e respirar bem fundo o sorriso de todo mundo.

domingo, 8 de abril de 2007

Cidadão de Papel

Quando eu estava na oitava série do ensino fundamental fui obrigado a ler um livro que não significava mais que uma das notas necessárias para finalizar o semestre de Língua Portuguesa. O título era O Cidadão de Papel, de Gilberto Dimenstein.

Lembro que o que mais intrigou meus pensamentos foram as fotografias, que mostravam coisas que os jovens da minha escola sabiam, mas preferiam fingir desconhecer. Também me recordo que levei duas semanas para finalizar a leitura. Duração de tempo que não me enchia de orgulho, tampouco fazia menos de mim pela idade que tinha.

Sete anos mais tarde, e por ironia do destino, revirei meus guardados e [re] encontrei o livro. As páginas estavam levemente amareladas, mas demontravam o zelo com que sempre cuidei das minhas coisas.

Dessa vez a leitura foi menos onerosa: nada mais que um dia. A necessidade era outra. Trata-se de uma das obras que tenho de ler para o meu trabalho de conclusão de curso. Agora, todas aquelas informações fazem sentido pra mim. São números que indicam o retrocesso do país; o descaso com a infância e a adolescência; perspectivas frustradas de meninos e meninas. Sonhos que se sonhavam só e desde sempre transformaram-se em pesadelos.

Percebi, então, o quanto fui negligente com esse tipo de leitura quando tinha meus 15 anos. Agora, com 22 aniversários completos, trabalho em uma Ong [Organização Não Governamental] que faz parte da Rede Andi Brasil.

O que isso tem a ver com a paçoca [com o Cidadão de Papel] ?

A Andi [Agência de Notícias dos Direitos da Infância] foi fundada pelos jornalistas Gilberto Dimenstein e Âmbar de Barros, em 1992.

Fui de papel, e hoje trabalho para que jovens não representem apenas porcentagens e constituições. Enfim, Cidadãos de Papel.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Pontos de vista...

Eu acredito na sensibilidade como ferramenta capaz de melhorar o mundo. Acredito mesmo, de coração. Não vejo outra saída senão a compreensão verdadeira de que as coisas estão erradas e precisam tomar rumos alternativos. O medo não funciona, a sensibilização sim.

É necessário que as pessoas tenham, até certo modo, uma visão romântica de mundo. Eu disse romântica, não ingênua. Todos sabem das catástrofes climáticas que estão por vir; das guerras geradas a partir da intolerância; das vidas que se perderam por causa das idéias brilhantes de líderes loucos. Todos sabem, não é segredo.

Mas o ponto final, assim como o início de cada ressaca moral, quem define é o homem. E não basta que ele saiba como mudar as coisas. Ele precisa se sensibilizar. Creio que o problema esteja na superficialidade com que o mundo [e principalmente o ser humano] é observado.

Regras de conduta, medidas, constituições, emendas, justiça, poder, informação, SISTEMA. Tudo é construído e administrado por pessoas e para pessoas. Surge a divisão da sociedade: aproveitadores, vítimas, estudiosos e sociedade civil. A impressão que tenho, às vezes, é de que tudo é muito mecânico. Soa como incoerência fazer leis para as pessoas e esquecer da individualidade. Parece que o jogo burocrático substitui a vida real; que o importante são as filosofias, e não as vidas humanas.
Ao meu ver, ser jornalista é isso: sensibilizar para estimular mudanças. Informar, formar opinião e transformar o mundo num espelho também são fundamentais. Mas é indispensável que o jornalista contribua através do seu dom [e habilidade] para que os abismos sociais diminuam, e para que as ideologias benéficas permaneçam sem cair na utopia.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Abstrações

Na ponta do lápis existe sempre uma idéia:
Confusa, abstrata, metódica, complexa...
Que passa pela compreensão de quem está no outro extremo.
É a hora em que a vaidade se abstrai de sua essência e propõe que algo seja dito,
Mesmo que, por frações de segundo, logo seja esquecido.
Um jogo que só termina quando a queda de braço entre egos se esgota.
Nessa hora, tudo que sobra é o orgulho,
Do feito, do esquecido,
Do que você realmente se importa.
E na dimensão em que seu estado de espírito se encontra
Qualquer movimento brusco vira um pavio,
Que detona alguma coisa que você realmente sente falta,
Mas não sabe o nome e chama de saudade.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Números

Nunca fui muito bom com os números. Relaciono-me com eles o mínimo necessário. Minha intolerância com os algarismos nasceu na segunda série do ensino básico, quando eu tinha somente oito anos de idade e minha mãe e a professora me empurraram a tabuada, sem farofa, goela abaixo.

Meu irmão, inversamente proporcional, sempre simpatizou com a área de exatas, tanto que foi esse o caminho que escolheu e é muito bom [e bem sucedido] naquilo que faz. Eu sou apenas um boêmio aspirante a jornalista.

Mas apesar da minha ineficiência com os decimais; a minha implicância com os números primos e a confusão que faço entre MMC e MDC, devo admitir que uma informação tem me preocupado. Mato Grosso do SUL é o estado que mais tem notificações de pessoas infectadas pelo Aedes Aegypti, ou seja, a cada 10 pessoas com dengue no Brasil, 9 são de MS.

O Ministério da Saúde está arrancando os cabelos. Os agentes de saúde têm trabalhado até a exaustão. Até o exército tá dando seus pulos. Mas, infelizmente, não há tanta eficiência por parte da sociedade civil. Em Aquidauana, cidade localizada a aproximadamente 150 km de distância da Capital de MS [Campo Grande], já chegou ao absurdo de ter mais de 50% da população com a doença.

Diariamente, toneladas de lixo são recolhidas por centenas de carretas. Assim como presidiários, há reincidência de lixo nos locais por onde a limpeza já foi feita. O acúmulo de água provocado pela chuva somado ao descaso de parte da população faz com que o mosquito transmissor da enfermidade seja criado [praticamente] como um animal de estimação. Junto com tuiuiús, araras e jacarés, o bichinho já é um novo símbolo do pantanal.

Uma triste realidade noticiada incansavelmente pela imprensa, que conta agora com o bom senso das pessoas. A ordem agora é subtrair: eliminar qualquer possibilidade de proliferação do mosquito e da doença. Multiplicar, só se for esforço humano. Somar, só se for idéias. Dividir, só as tarefas e responsabilidades.

Temos que acabar com essa história de divulgar o Estado somente pelas coisas ruins. Isso só acentua a idéia equivocada de que MS é uma periferia dentro do Terceiro Mundo. Essas estatísticas, dignas de Guines Book, não nos interessa. A exatidão dos números é mera formalidade de uma circunstância a ser mudada.

Dessa vez é necessário uma tabuada humanizadora...

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Caldo de ideias

Na vasta experiência do dicionário, “Mistério”, em um de seus significados, corresponde a “tudo que a inteligência humana é incapaz de explicar ou compreender”. Ao meu modo, significa um atestado de incompetência [necessário diante de coisas que não exigem explicação, mas não deixa de ser incompetência]. Numa forma arrogante, calculada e racional de dizer que o homem não é capaz saber sobre tudo, inventaram a tal palavra.

“Pra sempre” é uma noção indeterminada de tempo que não corresponde às expectativas do ser humano. Somos todos imediatistas; queremos tudo “pra agora”, com ou sem planejamento. Não desejamos nem mesmo que sentimentos bons durem tanto tempo, porque só queremos as coisas enquanto estamos vivos e interessa a alguém. É um egoísmo inconsciente que talvez explique tantas guerras e barbáries.

As duas expressões [mistério e pra sempre] me causam muito medo, porque significa que todo conhecimento e situações que você enfrentou para ter o controle da sua vida simplesmente não valem nada. Por mais que você trace seu rumo e planeje seu desenvolvimento estará sempre à disposição do acaso. Isso não tem a ver com fé ou religião, tem a ver com física e condicionamentos proporcionados pelo tal mistério.

Isso me causa angústia e é assim que as coisas funcionam. É como a chuva que não pára de cair porque sabe que preciso ir à padaria.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Fábula

Minha dentista me deve 100 reais. R$ 25 por cada ciso extraído. Se eu tivesse guardado sob o travesseiro esses 4 acessórios desnecessários, a fada dos dentes certamente deixaria algum caraminguá em troca da especiaria. Não bastasse o incômodo do ato cirúrgico, ainda saí no prejuízo. Não tenho certeza se receberei o dinheiro ou se, ao menos, o valor será descontado no restante do tratamento odontológico, mas, embora não seja uma fada, minha dentista tem um par de olhos lindos, cor de mel. Tô tentado a dar um desconto a ela!!!

Por falar historinhas lúdicas, meu futuro como agricultor é uma interrogação persistente. Enquanto o pé de feijão do João cresceu até as nuvens, o pé de mamão que eu plantei há 3 meses não chega nem a 40 centímetros. Existem duas hipóteses possíveis: ou a terra aqui de casa é ruim e o canteiro está mal feito ou esqueceram de dizer o que o cartunista colocou na água do moleque que trocou uma vaca [ou cabra, não me lembro!!!] por meia dúzia de grãos.

Não adianta ser lírico e romântico... O mar não está para peixe, Pequena Sereia e menos ainda para Branca de Neve. A princesa contemporânea, como dizia um professor e amigo meu, não espera um cavalo branco, mas um Glolf preto, rebaixado, com rodas de liga leve e insulfilm lacrado. Mas não posso reclamar da vida, tô mais pra Sherek do que pra príncipe encantado...

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Bicho papão

O bicho pegou esses dias aqui na capital de Mato Grosso do SUL. “Pegou” não, deu um susto. E mais, foram “bichos”, porque foram dois!!! Fazendo justiça à imagem estereotipada e errônea de que os campo-grandenses criam onças, tuiuiús e/ou capivaras como animais de estimação, a sociedade da pacata Capital teve duas surpresas no começo deste ano.

A primeira aconteceu na última sexta-feira, dia 12 de janeiro, quando um dos produtos mais famosos e característicos do Estado resolveu dar as caras. Um boi de dois anos de idade, com porte de 17 arrobas [o equivalente a 225 kg], escapou do frigorífico na hora do abate. O bichinho caminhou por quatro km, chegando ao aeroporto [provavelmente] morto de cansaço. Ao tentar entrar no local, não soube diferenciar a porta de vidro de uma porteira da fazenda, metendo a testa “com tudo” na pobre coitada da porta, que quebrou com o impacto. Puto da cara, o senhor boi fez uns estragos no estacionamento do recinto e saiu doidão pela avenida Duque de Caxias, botando pra correr as pessoas [e curiosos] que estavam passando por ali. Antes de ser abatido, a 100 metros do aeroporto, o animal ainda derrubou dois motociclistas. Testemunhas alegam que o boi estava desorientado, mas que, devido à caminhada, estava em forma!!!

A segunda surpresa aconteceu hoje [18 de janeiro]. Um jacaré do papo amarelo, mais comum na Bacia do Paraná [e ameaçado de extinção] foi encontrado no quintal do Hospital Regional enquanto funcionários aparavam a grama. Apesar do susto, curiosos que estavam por perto aproveitaram a celebridade de apenas dois anos para tirar fotos. Logo em seguida, o Corpo de Bombeiros foi acionado para retirar o meliante de couro do quintal. O coitadinho não precisou virar cinto, bolsa, sapato ou qualquer produto manufaturado.

Nos dois episódios não houve vítimas fatais [a não ser o boi, que virou churrasco].

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Vez em quando...

Às vezes eu penso em coisas absurdas,
coisas que não fazem o menor sentido.
E acho que justamente por isso penso nelas.
A lgo ingênuo, do tipo: quem está dirigindo o meu futuro primeiro carro agora?
Ou: por que pobre de novela nunca tropeça no português?
Será que quando construíram a grande muralha da China não tinha nada melhor a ser feito?
Quem inventou que coelho bota ovos de chocolate? E por que só na Páscoa?
Por que ao invés de dar brinquedos o Papai Noel não dá presente em dinheiro? E por que no Natal? Se ele entregasse os presentes no dia do aniversário das pessoas ele teria o que fazer o ano todo ao invés de ficar à toa engordando.
Penso que isso tudo serve para ser pensado por um desocupado que não consegue dormir. Desocupado não é bem o termo certo. Melhor seria preocupado, porque o mundo gira lá fora...

domingo, 14 de janeiro de 2007

Começo de Pontos de Vista

Eu acho que texto bom é texto simples.
Nada de palavras rebuscadas que exigem o acompanhamento de um dicionário para entender e terminar a leitura de cada frase, oração ou período.
O texto tem que ser entendido por si só. Quem está lendo tem que entender logo de cara o que a ponta do lápis quer dizer, expressar. Se quem escreve quer se comunicar, então deve fazer-se entender. Caso contrário é deboche!
Mas, representando outra espécie de “escrivinhação”, é claro que devaneios são bem vindos e necessários, e estes [que não precisam de vocabulário confuso] são bem mais charmosos que textos informativos. Textos subjetivos também precisam ser entendidos, a diferença está na pluralidade da compreensão textual.
Até errar hoje em dia é mais fácil! Não que já não fosse [até porque com tantas regras é impossível não falhar], mas dava medo. Agora perdemos a vergonha na cara. Perdemos de vez!
A internet facilitou a comunicação: quebrou barreiras; acelerou o processo; fez inclusão social; divulgou e fez notar-se. Todos escrevem. Pouco, muito; sobre tudo, sobre nada. Mandam fotos, fazem desenhos. Fazem matérias, notícias, recados e confissões. Trabalham, estudam e batem papo. Coisas lindas, diferentes, importantes – nem tanto. Tudo está lá e de qualquer forma.
Haja licença poética!!!
Sejam bem vindos!!!