sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Lembranças soltas são... rascunhos [1]

Acordei cedinho lembrando do cuidado com que minha mãe embrulhava as bolachas antes de acomodá-las na minha lancheira do Batman. E senti o cheiro do suco de maracujá impregnado na garrafa térmica [suco responsável por acordar a casa toda por conta do barulho do liquidificador às 5h da matina...].

[...]

"Olhar para frente, mas amar para sempre o que fica pra trás"

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Palavras soltas são... rascunhos! [7]

Mas, afinal, o que significa ter tempo?!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Dona vó Neusa

Quantas pedras seus pés pisaram antes de saber que eu iria nascer?
Quantas vezes seus olhos choraram e nenhum caminho melhor pra escolher?
O mundo que um dia você conheceu só tinha espinhos e faltava flor
Sei que não teve tudo que mereceu, mas foi um exemplo perfeito de amor.

Dias seguidos tentei esquecer o que faz a gente manter as maneiras
e cair no choro que faz entender que você é mais uma das lindas estrelas...

Sei que nada foi fácil até ontem
e o tempo não passa sem nada perder
Ontem você disfarçou um sorriso
e hoje sorrimos pensando em você
Fecho os olhos e sinto saudades de quando a gente jogava baralho
e assistia novelas com celebridades
lembranças que fazem eu sentir seu abraço

Dias seguidos tentei esquecer o que faz a gente manter as maneiras
e cair no choro que faz entender que você é mais uma das lindas estrelas...

Fecho os olhos e tento entender o que pode ter acontecido
mas sinto você ao meu lado pra sempre,
nada faz mudar meu carinho.
Pode apostar...

***

Onde quer que vá, leve um coração feliz...

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Semana

Nos dias em que tudo perde a graça,
o trabalho só consome,
o lazer traz ameaças.

Quando o desejo se esconde na vergonha,
a coragem se acovarda,
a timidez não se conforma.

Se o pecado é desejo reprimido
o exagero é controlado,
o controle é desperdício.

Fico entre a vontade e o compromisso,
o desafio e a sanidade,
o desespero e o otimismo...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Palavras soltas são... rascunhos! [6]

Prometo que juro se for pra te deixar feliz
Mas se fiz o que não devia, corro e digo que desfiz
Ao contrário da caneta, que escreve com licor de anis
Eternizei com o que se apaga, desenhando só com giz...

[...]

Com a devida licença poética à Juliane Souto...


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Caros amigos



[...]


Saudade lascada...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Rotas do acaso

Hoje eu sei que existe um compromisso depois do primeiro beijo. Aliás, não é que aos 15 anos de idade eu não soubesse disso: apenas não me interessava. É o tempo quem determina suas prioridades e, conseqüentemente, seus interesses.

Isso acontece porque aos 15 anos a estrada é menor. É praticamente uma viagem de 2 horas, como de Brasília [DF] a Goiânia [GO], por exemplo. O futuro de um adolescente é só o que ele consegue pensar nas próximas horas – no máximo, nas próximas semanas.

Depois disso a coisa muda. A viagem é maior. Quase como de Mato Grosso a Rio Grande [ambos do Sul]. Uma coisa meio Leo e Bia, sabe?! É como se você tivesse que passar horas dentro de um carro, dirigindo para algum lugar e tendo que controlar suas paradas para reabastecimento do carro, refeições, descanso ou, simplesmente, contemplação da paisagem.

[...]

No fundo, mais do que viver, às vezes é mais importante deixar a vida passar.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Literalmente falando

Pra mim, música boa é aquela que desperta algum tipo de sentimento. É a letra capaz de só fazer sentido com a melodia certa. É a canção que, a cada variação de nota musical, cutuca um pouco o peito.

Sem arte a vida é muito chata. Senti isso [senti, e não aprendi] desde pequeno.

Os shows de Paul McCartney no Brasil me fizeram lembrar que a primeira música dos Beatles que aprendi a tocar no violão foi Imagine, aos 12 anos de idade. Mas foi a música Blackbird que mexeu comigo de verdade.

Na época eu nem sabia [e ainda não aprendi] falar inglês. Quase um ano depois de escutar a música pela primeira vez e aprender a tocá-la no violão tive interesse em traduzir a letra. A tradução só não fez a música perder seu brilho porque eu prestei mais atenção no que a música queria dizer do que no que estava escrito. E ainda hoje essa canção faz sentido pra mim, 14 anos depois...



[...]



Take these broken wings and learn to fly
Take these sunken eyes and learn to see…

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Tuca – ou Roberta se preferir

Roberta foi a primeira mulher – descontando a minha mãe – com quem morei. Juntos fazíamos refeições, limpeza do apartamento, compras, pagamentos de contas e, às vezes, íamos juntos para a cama.

Esta última atividade era uma das minhas favoritas. Não, senhores leitores, não se trata de sacanagem. Trata-se de intimidade, na qual o sexo não estava presente pelo simples fato de sermos, Roberta e eu, amigos.

Para mim, Roberta passou a ser Tuca quando ela recebeu o apelido, de um colega nosso, de Tonica. Achei que o diminutivo amenizaria o impacto. Depois da primeira semana pronunciando Tuca percebi que o apelido carinhoso conseguia traduzir com melhor efeito a minha ternura por aquela nova amiga. Amiga mesmo, de verdade, com “A” maiúsculo.

Juntos, passamos muitas coisas. Tuca presenciou minhas piores crises, inclusive financeiras, salvas quando, no limite de escolher entre andar de metrô ou almoçar, meu pai emprestava uma grana que me salvava de uma fome lascada em Brasília.

Foi também por sua causa que, nos dias em que a tristeza batia no peito, eu respirava fundo inúmeras vezes e trocava a garrafa de conhaque – permanentemente guardada ao lado da minha cama – por uma boa conversa reconfortante.

Apesar de todo amor que tenho por meu irmão – e de quem sempre escondi as necessidades que passava/passo no Planalto Central – foi a presença de Tuca que segurou minha onda em Brasília. Era o exemplo dela que me fazia sentir vergonha quando batia a vontade de desistir de tudo.

E foi descobrindo os pedaços de seu coração, com o sentimento mais fraternal que possa existir entre uma amizade sincera, que percebi o quanto as pessoas podem ser maravilhosas quando esperamos delas apenas respeito e afeto.

Assim como eu, Tuca teve uma penca de obstáculos que a transformaram. Seu olhar carrega a sensatez que, hora ou outra, se passa por alegria. Na verdade, acho que é a paz renovada de quem sabe que a verdadeira essência da felicidade está no detalhe das coisas, no improviso da vida.

Longe de ser a princesa do conto de fadas [não por falta de beleza, mas pela ausência de ingenuidade] ou estereotipo de qualquer coisa, Tuca é linda. É alguém que tem um futuro lindo pela frente. É o meu Norte no Planalto Central e minha irmãzona. É humana.

Tuca é o presente que amenizou a pancada que Brasília representou nos meus primeiros meses de vida adulta. Seu aniversário é um feriado quase santo que comemoro praticamente como sendo meu.

Feliz aniversário, Tuca...



[...]


O vídeo é um pequeno presente. Lembranças de quando - quase acreditando que a fase ruim de nossas vidas não passaria - assistimos a apresentação deste poema de Oswaldo Montenegro. Sensação reconfortante, quase como o abraço protetor de um familiar...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Marina

Mais que uma ideia
Grandiosa ou singela
Como a vida iluminada
Pela chama de uma vela

Mais que o pecado
De um beijo bem roubado
Ou abraço apertado
E uma flor da primavera

Mais do que dinheiro
Que a beleza no espelho
Que sucesso o ano inteiro
E a estrada em linha reta

Quero a liberdade
Sem medida ou maldade
O amor de minha vida
E o calor do corpo dela

Quero a projeção da vida em arte abstrata
O amor na garrafa e o copo na mão
A efervescência do amor que dilata
Marina em minha veia como injeção

Mais que o mistério
O horror a cemitério
A distância entre hemisférios
A sabedoria da idade

Mais que o compromisso
A ser cobrado ou assumido
O achado e o perdido
Uma versão e a verdade

Mais que a esperança
Entre o pedido e a cobrança
A esmola ou a herança
O caminho e o atalho

Quero ter direito
Ao seu amor o ano inteiro
Ao natal em fevereiro
À segurança em seu abraço

Quero um caminho que me leve a você
Com atalho de sobra, sem tempo a perder
A tradução do melhor que eu sinto é Marina
O futuro tem gosto da sua boca na minha

***

Sentimento que brota nos olhos
Desejo que escapa pela boca...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Etc... finita

Sinto uma enorme felicidade ao assistir uma boa peça de teatro.

Rodas de poesia – preferencialmente acompanhadas de vinho – também me ajudam a manter a serenidade.

Cada vez mais me convenço de que fora da arte a vida é muito chata...

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Entre umas e outras: a mesma

Se eu fosse um cara diferente
como, será, que eu seria?
Qual seria a sua reação?
Que estória a gente escreveria?

Será que eu teria paciência?
Qual seria a sua explicação
pra gente andar sempre na contramão?
Qual seria, de verdade, a nossa essência?

Se eu fosse um cara diferente
que caminho a gente trilharia?
Que mudanças seriam necessárias?
Mesmo sem querer, a gente mudaria?

Se eu fosse um cara diferente
toda essa mudança valeria?
Quem garante a vida funcionar
bem do jeito que a gente queria?

Se eu fosse um cara diferente
pra quem será que a culpa apontaria?
Se o erro fosse a omissão
a culpa não seria minha.

Mas se o pecado fosse o exagero
de querer em um dia o ano inteiro
de fazer da sua vida um pedaço da minha
essa culpa, sim, eu assumiria.

Se meus versos fossem a verdade
de uma parte inteira ou só da metade
se tivessem vida própria indagariam:
"se eu fosse um cara diferente, sabe lá como eu seria..."

[...]

Texto inspirado em fatos emocionais e musicais!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Se o Dia é dos Namorados, a Noite é dos Solteiros!

Larguei o cigarro pela metade e o copo vazio ao lado do sofá; usei o remédio pra rinite; tomei um banho; passei o melhor perfume que tinha e corri pra uma festa de solteiros/as que fui convidado de última hora.

Valeu a pena.

Conheci pessoas animadas, divertidas, inteligentes e bonitas [numa festa de solteiros/as, essa não é bem a ordem dos adjetivos que a gente observa logo de cara – sejamos honestos].

Bebida vem, timidez vaise é que me entendem – e a confraternização passou do momento happy hour para momento terapia em grupo. Tudo muito válido, afinal, aprendi algumas coisas sobre as mulheres que não se aplicam às adolescentes da minha época de Ensino Médio.

1. As mulheres não se entendem. E elas não esperam que nós, homens, as entendamos. Querem apenas que a gente faça o que elas querem sem, necessariamente, serem entendidas.

2. Numa discussão conjugal, nem sempre – na verdade NUNCA – o argumento feminino faz sentido. E ela sabe disso. Tudo o que ela quer é que a gente finja que ela tem razão.

3. Se você tiver juízo e quiser terminar o bate-boca na cama, além de fingir que ela tem razão, você deve pedir desculpas pelo que não fez. FUNCIONA!

4. Entre o sertanejo e o funk; entre o chocolate e a pimenta; entre o beijo e o tapa; não seja imbecil. Mulher não gosta de extremos. O príncipe encantado não deve levar flores nem bater na princesa. Moderação é o macete. Eu disse M-A-C-E-T-E!

5. Cantada romântica não funciona, mas cantada de pedreiro é meio caminho andado. Se a mulher cair no riso e não te mandar embora depois de uma dessas, a chance existe.

6. Mulheres fingem que não têm interesse nos homens para testar a persistência masculina. Mas se elas disserem um NÃO bem alto e soletrado, esquece. Não vai rolar.

7. Não tem técnica melhor do que a indiferença. Vai entender...

8. Se uma mulher diz que não vai rolar nada antes de você tentar, é porque vai rolar alguma coisa.

***
Acreditem ou não, os tópicos acima não são fictícios nem saíram da minha cabeça. No dia seguinte resolvi testar o item 5 com quatro mulheres que conhecia. Consegui 2 telefones. Só faltou eu ser indiferente, mas esse é o ponto mais difícil...!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A desorganização de uma categoria

Uma audiência pública realizada hoje na Câmara dos Deputados colocou em discussão a necessidade do diploma na área de Comunicação Social. O debate tinha como objetivo contribuir para a análise da PEC 386A/2009, que determina a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo.

Sérgio Murilo de Andrade, presidente da FENAJ [Federação Nacional dos Jornalistas] criticou a ausência de representantes patronais, segundo ele “os mais interessados na queda do diploma”. Murilo explica que o principal argumento utilizado pelo STF [Superior Tribunal Federal] para a não obrigatoriedade da formação superior era a restrição da liberdade de expressão. “Um ano depois, o que mudou na liberdade de imprensa? De fato, hoje o espaço [meios de comunicação] está mais democratizado? Era mesmo o diploma que impedia a sociedade de se expressar livremente?”, questionou o presidente da FENAJ.

De acordo com Sérgio – e eu concordo com ele – o diploma nunca foi empecilho para a liberdade de expressão ou de imprensa. Ao contrário, é um dos instrumentos de defesa do direito à liberdade de expressão.

Pouco mais de um ano após a infeliz decisão do STF, os reflexos são visíveis. O presidente destaca, entre as principais e mais tristes consequências: fechamento de cursos de jornalismo, devido à baixa demanda de matrículas; aumento no número de pedidos junto ao Ministério do Trabalho e Emprego para registro profissional como jornalista; e queda no piso salarial da categoria.

A verdade é que agora não existem mais critérios para ser jornalista. O único é estar vivo. Como afirmou Sérgio, “não somos mais jornalistas. Nós estamos jornalistas”.

O jornalista e ex-deputado federal Aldálio Dantas afirmou que por mais dedicada e vocacionada que uma pessoa seja, o fato de ela na ter passado por uma faculdade e, consequentemente, não ter estudado disciplinas referentes ao jornalismo, faz com que ela não possua toda a aparelhagem necessária para a boa prática profissional. “Que compromisso com o jornalismo terá uma pessoa que se formou em outras áreas?”, questiona. Para ele, foi jogada fora uma luta de mais de 100 anos pelo ensino superior em jornalismo.

“Se derrubaram a Lei de Imprensa porque foi feita na época da ditadura militar [e por isso não a consideravam democrática], por que não elaborar uma lei atual e democrática?”, finaliza Aldálio.

***

“Não existe mais critério. Não precisa, sequer, provar que é alfabetizado. Basta estar vivo”. A afirmação de Sérgio Murilo provoca desânimo. Desânimo e incredulidade numa “justiça” que acredita na desregulamentação de uma profissão para o exercício da liberdade de expressão. O contraditório disso tudo é que o argumento do STF soa mais como proteção aos que querem alienar a informação do que uma preocupação legítima com a causa.

Afinal de contas, a quem interessa a degradação de uma categoria profissional?

Pra mim, todos saíram perdendo: os jornalistas [de verdade e com diploma] pela falta de respeito com que sua profissão é discutida pelas maiores instâncias da lei; as empresas que se beneficiam com essa degradação [e aqui não estou falando das empresas sérias, comprometidas com o jornalismo de qualidade]; e os leitores, que têm prejudicado seu direito de informação com qualidade.

A decisão do STF não deveria causar espanto. Afinal, educação no Brasil não tem sido levada a sério. É levada de barriga...

domingo, 30 de maio de 2010

Palavras soltas são... rascunhos! [5]


Mesmo que pareça insano ou inapropriado
Se estiver no meio do caminho ou na direção errada
Mesmo que não faça sentido ou os 5 sentidos não sirvam pra nada
Na entrelinha da estrada uma rota está traçada...

A[pelo]

Pela luz que clareia a metade guardada
Pela janela indiscreta que não revela nada
Pelo atalho que aumenta o perigo da estrada

Vamos fingir que está tudo certo...

Pelo dinheiro que acaba antes de ser ganhado
Pelo tiro certeiro de um risco mal calculado
Pelo menino esperto que escolhe o lado errado

Vamos fingir que está tudo certo...

Pelo suspiro final da vida que não acaba
Pela moral da história que não serve pra nada
Pela mentira de toda verdade inventada

Vamos fingir que está tudo bem...

sábado, 15 de maio de 2010

Nota de rodapé

O gosto do beijo da paixão da adolescência chegou com 10 anos de atraso
E mostrou que, na época, era mesmo o gosto que eu queria ter sentido.
Como se não bastasse a covardia do tempo passado,
Ficou a previsão de um futuro – nesse sentido – perdido...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

No centro de um Planalto [não mais] vazio

Brasília entrou em minha vida como o risco de uma aposta de um jogo de azar: de maneira calculada, mas sem a certeza de qualquer coisa concreta. Planejei – muito tempo antes – estar aqui, mas vim parar num momento em que não imaginava.

Inegavelmente, Brasília entrou forte em minha vida.

De todos os lugares em que já morei, Brasília foi o primeiro que me possibilitou o maior contato comigo mesmo [pra não dizer solidão] que nenhum outro foi capaz. Isso não foi uma coisa [necessariamente] ruim. Aprendi [sem demagogia] que ser forte não é corresponder ao que os outros esperam de nós, mas sim superar nossas próprias limitações, medos e, sobretudo, verdades relegadas a um segundo plano. Neste caso, Plano Piloto!

Antes dos 20 anos, todas as situações que passavam em minha cabeça não tinham mais de 2 anos. Hoje, facilmente me lembro de coisas que passam [na soma das datas] da casa dos dois dígitos.

Hoje meu irmão me ligou duas vezes. Na primeira, queria saber o que eu queria falar com ele ontem. Na segunda vez, trocamos ideias sobre o presente que daremos à nossa mãe no dia das mães. Quase que como pecado, essa segunda ligação eu atendi dentro de um auditório com cerca de 200 pessoas que assistiam a uma palestra. Eu trabalhava. Tinha que escrever uma matéria sobre o assunto. Foram 5 minutos de ligação que me abstraíram da discussão importante que havia ali.

De qualquer maneira, falar com meu irmão naquele momento foi prazeroso. Até os sintomas da minha sinusite diminuíram. Combinamos, então, voltar juntos para casa. Residências separadas pela distância correspondente a duas estações de metrô.

Foi a primeira vez em 13 anos que andamos juntos de transporte coletivo [era isso que eu queria dizer com o 4º parágrafo!]. E me lembrei, com isso, de que nossas vidas de união fraternal sofreram um corte de tempo. Pouco depois ele se mudou para Brasília. No dia de sua partida, eu não consegui chegar do trabalho a tempo de levá-lo à rodoviária, dar um abraço e dizer o quanto eu o amava. Não queiram saber o quanto isso dói.

Por isso que estar com ele hoje foi tão especial. Fui recebido com um abraço apertado e um beijo na bochecha [nossa família não se importa em demonstrar afeto]. Em menos de 50 minutos conversamos sobre muitas coisas: consulta média, insatisfação com o trabalho, parentes distantes, viagens, férias. E, diferentemente da última vez em que andamos juntos de transporte coletivo, não brigamos. Porque naquela época meu irmão era um adolescente que achava todo mundo chato. E eu era, de fato, o chato que ele achava.

Nesses últimos 13 anos muita coisa mudou. O Gu tem seu próprio carro agora [o motivo dele estar a pé hoje foi porque a esposa dele voltou mais cedo – com o carro – pra casa]. Eu continuo durango e à pé! Mas se teve algo importante que se manteve foi o meu olhar seguindo suas costas ao sair da estação, como quem deseja ter um pouco daquela segurança e paz de espírito.

Brasília trouxe meu irmão de volta.

Agora eu sei que saudade é só uma noite mal dormida...

domingo, 25 de abril de 2010

"Alguma coisa acontece no meu coração..."


Se eu devo R$ 70 e pago R$ 40, então eu ainda devo trinta reais. É isso mesmo, né?!”, perguntou-me andando em ritmo acelerado um [suponho, pelo sotaque] capixaba. “É que eu ando com a cabeça meio ruim pra fazer contas”, confidencio-me, sem saber que eu nasci ruim pra fazer conta.

Eram 19 horas do dia 22 de abril e eu caminhava do Setor Comercial Sul até a Rodoviária do Plano Piloto. Já estava bem de frente para a Esplanada dos Ministérios, palco das comemorações dos 50 anos da capital federal.

Brasília tem dessas coisas...

Sampa, de Caetano Veloso, em muitas partes poderia ter sido escrita para Brasília.

Da força da grana que ergue e destrói coisas belas [...] eu vejo surgir teus poetas de campos e espaços [...]”. Essa parte é uma delas.

Por outro lado, “da dura poesia concreta de tuas esquinas [...]” de longe denota a realidade do concreto que “paira no ar” aqui. Também não poderia rimar o verso “da feia fumaça que sobe apagando as estrelas”.

Brasília é realmente uma cidade que desperta sensações indescritíveis. Nem vou tentar escrever o que sinto. Eu não daria conta.

A geografia de Brasília permite que o céu seja o mais bonito que pode ser visto de uma cidade. Iguala-se apenas com o céu da zona rural. As estrelas não brilham: irradiam. A simetria – até das curvas – é de encantar ao mais atrevido coração.

Em Brasília, como em qualquer outro lugar do mundo, tem pessoas com desejos, sonhos, trabalhos e perspectivas. Mas não é como qualquer outro lugar do mundo. Portanto, seus 50 anos não representam os mesmos 50 anos de qualquer outro lugar do mundo.

Brasília, por ser o centro político do país, concentra enorme corrupção. Mas não é disso que quero falar.

Quero lembrar que esta cidade, na qual sempre quis morar por algum tempo sem entender o por que dessa minha necessidade, nasceu de uma enorme pretensão de mudança. Foi construída como se constrói uma casa. E, assim como tal, abriga moradores ansiosos por vidas melhores.

Estar aqui nesse momento, pra mim, é um privilégio. É como se a história percorresse minhas veias e, ao chegar ao coração, parasse.

Acho que é disso que somos feitos: história.

De qualquer forma, “alguma coisa acontece no meu coração...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Intimidades

Sinto-me como a sombra projetada pela escuridão
Invisível.
Penso, sinto, sobrevivo e acredito
Existo.
Sou verdade sem saber. É o que se chama de intuição.

A verdade é que Brasília me desperta uma solidão enorme...