sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Fluidos comportamentais

Depois de um tempo a gente começa a ficar mais seletivo com o que pensa. Conseqüentemente, com o que fala e o que escreve. Acho que isso é um processo natural de amadurecimento.

Isso não significa que nos tornamos pessoas melhores. Ficamos apenas sensatos.

Há poucos dias, depois de um desabafo terapêutico com uma amiga, ela me disse “dessa vida não se leva nada”. Verdade. E não foi a primeira vez que escutei isso, mas foi a entonação que me fez verdadeiramente pensar em coisas que perambulam minha cabeça todos os dias.

Quando estamos extremamente tristes ou totalmente alegres, pouco importa o que irá acontecer. Isso porque no primeiro caso não temos nada a perder e no segundo porque já conquistamos tudo aquilo que consideramos importante. A única coisa que queremos, nesses momentos, é ter a certeza de que não fomos em vão, vazios ou insignificantes. Para obter essa certeza, cristalizamos momentos.

Fotos, vídeos, textos, gravuras, marcas, homenagens.

Além do texto, quero ser a melhor lembrança de alguém. Porque se existe algo que verdadeiramente fica, é isso. E se isso não ficar eternamente, pelo menos é o que importa.

Depois de comprar o DVD do artista favorito e assistir o material várias vezes seguidas, a que conclusão podemos chegar? É melhor a eternidade do DVD ou a espontaneidade de um show de cerca de duas horas que nunca mais acontecerá da mesma maneira?

O que é mais gostoso? Descobrir um sabor pela primeira vez ou provar a essência até ficar enjoado de satisfação?

Como podemos colocar todas as melhores lembranças dentro de um compartimento secreto em nosso peito e ter a certeza de que isso não será roubado de nós?

Até que ponto a reflexão sobre as dúvidas que temos é instinto, passa-tempo ou necessidade?

Se pensarmos muito em alguma coisa corremos dois riscos: o da compreensão e o do conformismo. E os dois são altamente angustiantes. Se por um lado as ciências exatas nos ensinam a ser racionais, as ciências humanas nos ensinam a ser críticos. Se a mistura disso tudo é a perfeição [teoricamente], em que parte o ser humano entra?

De repente as pessoas sejam feitas de dúvidas e lembranças. Ao invés dos 70% de água, a maior parte de nós é constituída de insatisfação e desejo de mudanças. Pode ser que o resto não exista.

E quem disse que isso é verdade ou que tenha que fazer sentido?

sábado, 30 de agosto de 2008

Expectorando algumas idéias

Há tempos não me sentia motivado a escrever. Procurei justificativa no tempo seco, na preguiça, na correria cotidiana, na falta de interesse e até mesmo nos meus erros de ortografia.

Fiquei triste quando decidi assumir que o problema estava na falta de inspiração. É mais ou menos quando um craque do futebol cai na real de que aquela operação no joelho “ferrou” sua carreira.

As duas coisas são diferentes apenas em um detalhe: a primeira situação pode não ser definitiva. Já a segunda é um fato consumado.

Paixão para escrever é fundamental. Poucas coisas são tão intensas quanto um texto bem escrito, do tipo que mexe com a imaginação e ocupa a cabeça horas depois que a leitura se encerra. Admiro quem consegue isso e corro atrás de tamanho profissionalismo.

Acredito que o necessário para várias coisas é o que consideramos impossível. Talvez isso seja uma alavanca para que vários problemas sejam solucionados. Só o fato de pensar em algo impossível mostra a relevância de se pensar nisso como uma necessidade. Do contrário, nem pensaríamos nesse tipo de coisa.

O impossível acaba sendo tudo o que a nossa preguiça, dificuldade ou incapacidade não consegue atingir.

Em projeções mundiais, acabar com a violência, eliminar a fome, erradicar doenças, garantir que todos os direitos humanos sejam cumpridos, extinguir o analfabetismo, universalizar o acesso à saúde, garantir condições mínimas de sobrevivências às pessoas e tornar o desemprego uma estatística do passado, entre tantas outras urgências numeráveis, pode ser utopia, mas não deixa de ser necessário. O caráter aparentemente impossível associado a essas complexidades não dá o direito de nos fazer desistir de buscar a solução para essas e outras misérias.

Sentar e esperar providências divinas não resolve o problema. Nem ditar o que deve ser feito como se faz a uma criança quando estamos ensinando o “be-a-bá”. É preciso ter ação, pensar e definir estratégias. Correr atrás do impossível tendo em vista que é o necessário a ser feito. Procurar inspiração. Essa é uma das chaves fundamentais para as soluções que precisamos. Mesmo que a busca seja por um texto bem escrito.

Amar e mudar as coisas.

No fundo, é isso.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Jornalista! Novos Horizontes...

Senhores leitores,

Após um longo recesso, cá estou, de volta ao exercício da escrita que determina o sentido que dou à minha vida [a rima não era proposital!].

O motivo das férias indeterminadas não poderia ser mais justo: ou eu me afastava de tudo e concentrava minhas energias [e inspirações] no meu Projeto Experimental [trabalho de conclusão de curso] ou não dava conta do recado.

Enfim, nasceu o “PANE NO SISTEMA – Histórias de Crianças e Adolescentes que não foram Prioridade Absoluta”, um livro-reportagem-literário que gerei por nove meses, motivo pelo qual o considero como um filho.

O meu trabalho recebeu uma avaliação muito positiva. Os membros da banca examinadora disseram que o livro aborda temáticas importantes, é de interesse social e tem a cara do autor. Claro que fiquei satisfeito com a avaliação, afinal, sem receber críticas, significa que tenho uma boa visão do que é importante ser discutido e como fazer isso de maneira jornalística.

Sim, sinto-me, agora, de fato, JORNALISTA!

Agora as coisas mudaram. Fiquem tranqüilos, não estou falando de “estrelismo”, aquela síndrome de que padecem alguns vulgos jornalistas e profissionais da mídia, que acreditam ser donos absolutos da verdade simplesmente por compreenderem os mecanismos da comunicação.

A mudança a que me refiro é maior. Tem a ver com o meu compromisso social através da profissão que escolhi.

Alguns dos textos publicados aqui no Rascunhos do Rapha, pra falar a verdade a maioria deles, tem um caráter íntimo demais. A nova fase do blog não exclui esse tipo de texto, mas trará assuntos de interesse mais coletivo do que eu já tratava antes.

Espero que daqui por diante novos rumos sejam traçados, caminhos seguidos e objetivos alcançados.

Sejam todos bem vindos aos novos horizontes que se iniciam a partir de agora.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Presente [não] de grego

Hoje o dia é meu, mas o trabalho é do meu irmão.
Compartilho com vocês a surpresa linda que recebi.
Muito obrigado pelo tempo que dedica comigo, Guga.

domingo, 14 de outubro de 2007

Tá, confesso!

Sou mesmo de curtir paixões platônicas. Por tudo: pessoas, lugares, culturas, crenças, medos, sonhos e tudo que seja palpável ou não.

Tenho muita fome de estrada e coisas novas. Isso pode me levar a vários lugares, inclusive à falência. Mas querem saber? Dane-se! Sou novo demais pra me preocupar com coisas que devo me preocupar. Aliás, quem disse que devo me preocupar? Quem falou de idade?

Posso estar completamente enganado sobre a previsão do tempo, a balança comercial e o significado do horóscopo, mas tenho plena certeza de que nada pode proporcionar tanto prazer quanto buscar um ideal, mesmo que incerto, por enquanto.

Quero continuar tendo a sensação de quem olha para um rosto conhecido no lugar mais remoto do mundo. E quero matar a sede com o último copo de água filtrada que estava escondido atrás do vidro de pimenta na porta da geladeira. Não menos importante, quero sentir o alívio de quem encontra R$ 10 no bolso da bermuda caída num canto do guarda-roupa. Por fim, desfrutar das 3 cervejas geladas que esse dinheiro pode comprar no boteco da esquina.

Quero tanto que às vezes acho que é muito. Quero pouco se acho que não posso nada. Não preciso ter certezas, só um ponto de partida. Eu não sei pra onde vou, mas isso não me preocupa. Preciso de um caminho qualquer: seguro ou não. Só não posso ficar parado.

Quero ter direito ao romantismo literário. Mais nada.
Quero viver com dignidade. Mais nada.
Quero um cartão de crédito e um imenso disco rígido. Mais nada.
Quero que uma frase não precise ter nexo para ser dita. Mais nada.

Eu só quero o que eu preciso.

Ponto.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Tá chegando a hora...

A proximidade da minha formatura tem causado uma preocupação que consegue tirar meu sono da mesma maneira que novela das oito tira a minha paciência.

Fico imaginando até que ponto ficarei à mercê da brutalidade do mercado de trabalho; até quando a notícia será um produto vendável acima do benefício que ela pode, de fato, causar.

Afinal de contas, aonde tem espaço para jornalismo literário?

Tenho curiosidade de saber em que ponto geográfico-social-psicológico morre o idealismo que plantamos no ensino médio e cultivamos durante toda a faculdade. Será que apodrece antes de chegar ao mercado – de trabalho – ou enquanto fica estocado nas prateleiras da subserviência?

Será que existe uma linha tênue entre manuais de redação e mediocridade?

Sabe quando a pessoa deixa de confiar na polícia e começa a se sentir mais seguro com a bandidagem? Será que é isso que acontece com os profissionais, de modo geral, quando abandonam suas convicções para conseguir ou manter um emprego?

Se a universidade ensina o ser humano a pensar, a ver potencial nas diversidades, por que no mundo dos negócios a gente tem que aprender a agir como o chefe determina, representando a unidade de uma pessoa? Quem disse que a idéia dele é melhor que a sua?

Se conseguir um emprego tem a ver com ser moldado aos padrões de uma hierarquia, qual a função de tudo que a gente aprende? Se a proposta do mundo é abaixar a cabeça, a lição poderia ser ensinada em dois tópicos de uma única aula.

Vou regar mais um pouco o meu idealismo pra ele não morrer na secura...

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Tempo de quem?

Você percebe que uma fruta está podre quando observa que a consistência, o cheiro e a aparência desanimam todos os outros sentidos humanos, antes mesmo de querer testar o paladar. E também é possível identificar variações de preços, qualidade, acabamentos, conforto, confiabilidade, caráter e infinitas coisas. Podemos experimentar muitas sensações, quase tudo, e, através dessas experiências, saber o que queremos, merecemos e o que efetivamente levamos pra casa.

Isso não significa, no entanto, que temos controle pleno das opções que fazemos e sabores que optamos.

É assim com nossas próprias vidas. Percebemos que estamos velhos quando perdemos a noção de contemporaneidade e passamos o tempo [quase] todo dizendo a mais clichê das frases já inventadas pela soberba raça humana: “no meu tempo”. E é inevitável que todos, eu disse TODOS, sem exceção, digam [pelo menos uma vez na vida] essa frase tão idiota e deprimente.

Velho não é ter 80 anos, barba branca, ser careca, ter corcunda, usar óculos, vestir suspensório, ser surdo e falar baixo [e fofo – por conta da dentadura]. Isso é um estereótipo ridículo. Ser velho está além. Significa ser ingênuo e medíocre a ponto de acreditar que nada no mundo de hoje funciona como “no seu tempo”.

Sentir saudade é saudável, acredite. Lembrar das coisas com carinho é manter respeito pelas pessoas que te cercaram e cresceram contigo, além de mostrar dignidade para si mesmo. Importante é fazer isso sem pretensões comparativas com os tempos atuais.

Sou da época em que para jogar bola [de “capotão”] na rua tinha que pedir autorização para a mãe [e ficava de castigo se, além de ganhar o jogo, eu aprendesse um xingamento novo!]. No meu tempo a violência era menor pelo simples fato de eu desconhecer o significado desse vocábulo [estava protegido pelo escudo da minha idade: seis anos!].

Sou do tempo em que Atari e Master System [video games] eram brinquedos caros, só para crianças ricas. Quem não tinha era obrigado a se despir da timidez e conhecer algum coleguinha que tinha a fantástica tecnologia. E mais – tinha que usar a lábia para poder brincar junto. Nada mais agradável do que ir à locadora escolher um cartucho diferente e, na volta pra casa, tocar campainhas e sair correndo.

“No meu tempo”, passar de ano na escola era obrigação. Hoje eu não me importaria de repetir algumas séries se me fosse garantido o direito de estudar novamente na Escola João Vendramini. Trocaria alguns anos adolescentes de farra pelo pátio repleto de árvores centenárias daquele estabelecimento de ensino. Se pudesse, lá seria o palco do meu primeiro beijo, da minha formatura e do meu casamento. Minhas melhores lembranças são os dois anos que lá passei e lembro com o mesmo calor das coisas que fiz essa manhã.

Sou do tempo em que brigar com o irmão não era rebeldia: era comprovar a árvore genealógica da família. Entre todos os planos que eu fazia, o mais importante era me tornar amigo do meu irmão, sem imaginar que pra isso era necessário sentir a saudade da distância. Queria ter afinidade com as ciências exatas para inventar uma equação que convertesse quilômetros em abraços. Aliás, carinho deveria ser uma unidade de medida indispensavelmente usual.

“No meu tempo”, ser adolescente era madurar, desenvolver até a fase adulta. Não tínhamos a pretensão de ser adultos. Queríamos apenas viver o que nos era proibido por algum motivo idiota pouco aparente.

Sou da época em que se apaixonar não era cafona: era bonito, simples de coração. Fazer planos com a namorada não era norma social, era apenas a tendência natural de fugir da possível solidão. Era uma terapia ocupacional pra quem amava demais e ser sozinho era pouco. Desde então eu já era boêmio e sonhava com noites regadas a bebidas, conversas de botequim, poesias e o sereno da madrugada que causaria uma pneumonia fatal. Todos acreditariam que a causa mortis seria mal do século, ou morrer de amor. Mais charmoso isso que bala perdida!

Minha geração herdou o costume de presentear a namorada com bombons e flores. Hoje inventaram a tal cesta de café da manhã, mas as flores e os chocolates persistem. Acredito que o diferencial, atualmente, seja ser galanteador. Aliás, uma das atividades que defendo a eterna existência.

Sou do tempo em que casamento era festividade desejada e planejada, verdadeiro acontecimento social. Não era algo tão banal e chorar durante a cerimônia não era ridículo. Por mais moderna que a pessoa se considere, na hora em que seu irmão estiver no altar esperando a noiva, uma onda de sentimentos vai tomar conta do seu organismo e todas as coisas bonitas que você acreditava quando era criança virão à tona e farão sentido. Nessa hora você perceberá que a tradição persiste e o significado de casamento não mudou tanto assim.

“No meu tempo” ser feliz era simples e barato: custava apenas uns chicletes, balas e doces de mercearia. Sonhar não precisava ser necessariamente na hora de dormir. Bastava apenas não ficar no meio da rua enquanto divagava sobre filosofias infanto-juvenis e durava até minha mãe me chamar para o jantar.

Sou da época em que nem tudo que passava na TV era bom, mas mesmo assim a gente queria assistir. Sou da época em que todo mundo queria o novo. O tempo de hoje é novo. Vivemos no novo! Afirmar que determinado tempo é melhor ou pior que outro significa assinar um atestado de intolerância, afinal, certeza é a coisa mais subjetiva que existe.

É no silêncio do caos da perda de sono que a gente presta atenção em como a vida passa com a mesma desatenção de quem escreve um texto ouvindo músicas com fone de ouvido.

Em que tempo você vive?

sexta-feira, 15 de junho de 2007

A pertinência das prioridades


Quando eu era moleque [não remelento, porque minha mãe sempre foi muito exigente com a higiene dos filhos] a dona mãe dizia que comer legumes fazia bem ao organismo. Minhas avós, cumprindo sua função de engordar os netos, acreditavam que barriga era sinônimo de saúde. Um dos meus tios já era mais realista. Achava que o dinheiro era o caminho das pedras.

Todo mundo por fora. Bom mesmo é viajar.

Quando a gente está num ambiente novo, tudo é lucro. A comida sem sal do restaurante da esquina ganha sabor de prato típico. A bebida com o valor quase dobrado facilmente é digerida [literalmente] pela justificativa de estar submetida a tabelas de preços turísticos. Ficar perdido no centro da cidade não causa desespero: desperta um desejo inevitável de fazer turismo e um incontrolável sentimento consumista.

Turista nunca é pobre, nem mesmo os que efetivamente são. Ele sempre acha no meio da carteira, embolado com o lenço ou no bolso da bermuda com que entrou no mar um último centavo de seu dinheiro para gastar com uma besteira qualquer. Reafirmo: besteira qualquer. Se fosse para o remédio, certamente não encontraria.

As prioridades são as mais diversas [e inúteis possíveis]. Seja para a cerveja, para a hora da lan house para postar fotos, para a camiseta com os dizeres “alguém que me ama muito e esteve em Vitória se lembrou de mim”, para o chaveiro que dará de presente à chefe... Se os motivos forem estes [ou mais absurdos], o dinheiro sempre rende.

O mais importante, entretanto, são as pessoas. Elas fazem com que cada minuto de conversa e centavo desperdiçado nas horas de lazer se transformem em aprendizado. E com a maior “cara de pau”, humildade e simplicidade se tornam importantes pra você. Uma referência especial nos cinco minutos que antecedem o sono. E fazem sentir saudade, da maneira mais bonita que existe.

Antes de ir a Vitória, para o encontro da RENOI [Rede Nacional de Observatórios de Imprensa] eu tinha colegas. Agora tenho amigos.

Dica da semana:

A receita da felicidade é simples: separe o dinheiro das passagens [ida e volta] e seja feliz!

quinta-feira, 24 de maio de 2007

O dia da [dona] mãe é hoje!

Tá bom, mãe é tudo igual mesmo. E daí?

Será que é tão difícil parar de pensar pelo lado negativo e encontrar alguma coisa boa na mulher que te carregou por nove meses na barriga? Quer uma kitnet melhor do que essa?

Só porque minha mãe brigava para eu não matar aula não significa que eu a odeie. Só porque ela me fez ser a única criança do bairro sem cerol na linha da pipa não significa que eu a queira menos bem. Só porque ela puxou minha orelha quando eu tirei meu primeiro [e único] zero na escola [maldita prova de matemática, com seus MMCs e MDCs] não significa que eu não a admire muito.

Só o fato dela ter transformado a mim e ao meu irmão em homens de bem é o bastante para eu amá-la muito. Muito mesmo. Sem proporções racionais ou emocionais restritas.

A ela espero um futuro bom. Mas sempre perto pra me socorrer. E eu sei que ela sempre estará disposta.

“Hey mãe, eu tenho uma guitarra elétrica...”

domingo, 22 de abril de 2007

Alucinação


Foi a época em que filmes de terror, assombração, animais peçonhentos, nota baixa na escola, reprovação no vestibular e corte de mesada me causavam medo.

Agora o terror nasce da política, da violência, das notícias “jornalísticas” que desinformam as pessoas, do cartão que não passa na loja porque o sistema está fora do ar e do “chifre” que a gente acredita que um dia vai levar.

Eu queria ter a paz de quem segura uma nuvem com as mãos [igual na foto acima, do Bruno Navarros] . A tranqüilidade que encontro num belo par de olhos. O bom senso que todo mundo escreve e nunca alcança. O poder de ver a reação da pessoa que recebe uma mensagem minha no celular [tarde da noite].

Eu queria ser o ideal que não existe e respirar bem fundo o sorriso de todo mundo.

domingo, 8 de abril de 2007

Cidadão de Papel

Quando eu estava na oitava série do ensino fundamental fui obrigado a ler um livro que não significava mais que uma das notas necessárias para finalizar o semestre de Língua Portuguesa. O título era O Cidadão de Papel, de Gilberto Dimenstein.

Lembro que o que mais intrigou meus pensamentos foram as fotografias, que mostravam coisas que os jovens da minha escola sabiam, mas preferiam fingir desconhecer. Também me recordo que levei duas semanas para finalizar a leitura. Duração de tempo que não me enchia de orgulho, tampouco fazia menos de mim pela idade que tinha.

Sete anos mais tarde, e por ironia do destino, revirei meus guardados e [re] encontrei o livro. As páginas estavam levemente amareladas, mas demontravam o zelo com que sempre cuidei das minhas coisas.

Dessa vez a leitura foi menos onerosa: nada mais que um dia. A necessidade era outra. Trata-se de uma das obras que tenho de ler para o meu trabalho de conclusão de curso. Agora, todas aquelas informações fazem sentido pra mim. São números que indicam o retrocesso do país; o descaso com a infância e a adolescência; perspectivas frustradas de meninos e meninas. Sonhos que se sonhavam só e desde sempre transformaram-se em pesadelos.

Percebi, então, o quanto fui negligente com esse tipo de leitura quando tinha meus 15 anos. Agora, com 22 aniversários completos, trabalho em uma Ong [Organização Não Governamental] que faz parte da Rede Andi Brasil.

O que isso tem a ver com a paçoca [com o Cidadão de Papel] ?

A Andi [Agência de Notícias dos Direitos da Infância] foi fundada pelos jornalistas Gilberto Dimenstein e Âmbar de Barros, em 1992.

Fui de papel, e hoje trabalho para que jovens não representem apenas porcentagens e constituições. Enfim, Cidadãos de Papel.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Pontos de vista...

Eu acredito na sensibilidade como ferramenta capaz de melhorar o mundo. Acredito mesmo, de coração. Não vejo outra saída senão a compreensão verdadeira de que as coisas estão erradas e precisam tomar rumos alternativos. O medo não funciona, a sensibilização sim.

É necessário que as pessoas tenham, até certo modo, uma visão romântica de mundo. Eu disse romântica, não ingênua. Todos sabem das catástrofes climáticas que estão por vir; das guerras geradas a partir da intolerância; das vidas que se perderam por causa das idéias brilhantes de líderes loucos. Todos sabem, não é segredo.

Mas o ponto final, assim como o início de cada ressaca moral, quem define é o homem. E não basta que ele saiba como mudar as coisas. Ele precisa se sensibilizar. Creio que o problema esteja na superficialidade com que o mundo [e principalmente o ser humano] é observado.

Regras de conduta, medidas, constituições, emendas, justiça, poder, informação, SISTEMA. Tudo é construído e administrado por pessoas e para pessoas. Surge a divisão da sociedade: aproveitadores, vítimas, estudiosos e sociedade civil. A impressão que tenho, às vezes, é de que tudo é muito mecânico. Soa como incoerência fazer leis para as pessoas e esquecer da individualidade. Parece que o jogo burocrático substitui a vida real; que o importante são as filosofias, e não as vidas humanas.
Ao meu ver, ser jornalista é isso: sensibilizar para estimular mudanças. Informar, formar opinião e transformar o mundo num espelho também são fundamentais. Mas é indispensável que o jornalista contribua através do seu dom [e habilidade] para que os abismos sociais diminuam, e para que as ideologias benéficas permaneçam sem cair na utopia.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Abstrações

Na ponta do lápis existe sempre uma idéia:
Confusa, abstrata, metódica, complexa...
Que passa pela compreensão de quem está no outro extremo.
É a hora em que a vaidade se abstrai de sua essência e propõe que algo seja dito,
Mesmo que, por frações de segundo, logo seja esquecido.
Um jogo que só termina quando a queda de braço entre egos se esgota.
Nessa hora, tudo que sobra é o orgulho,
Do feito, do esquecido,
Do que você realmente se importa.
E na dimensão em que seu estado de espírito se encontra
Qualquer movimento brusco vira um pavio,
Que detona alguma coisa que você realmente sente falta,
Mas não sabe o nome e chama de saudade.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Números

Nunca fui muito bom com os números. Relaciono-me com eles o mínimo necessário. Minha intolerância com os algarismos nasceu na segunda série do ensino básico, quando eu tinha somente oito anos de idade e minha mãe e a professora me empurraram a tabuada, sem farofa, goela abaixo.

Meu irmão, inversamente proporcional, sempre simpatizou com a área de exatas, tanto que foi esse o caminho que escolheu e é muito bom [e bem sucedido] naquilo que faz. Eu sou apenas um boêmio aspirante a jornalista.

Mas apesar da minha ineficiência com os decimais; a minha implicância com os números primos e a confusão que faço entre MMC e MDC, devo admitir que uma informação tem me preocupado. Mato Grosso do SUL é o estado que mais tem notificações de pessoas infectadas pelo Aedes Aegypti, ou seja, a cada 10 pessoas com dengue no Brasil, 9 são de MS.

O Ministério da Saúde está arrancando os cabelos. Os agentes de saúde têm trabalhado até a exaustão. Até o exército tá dando seus pulos. Mas, infelizmente, não há tanta eficiência por parte da sociedade civil. Em Aquidauana, cidade localizada a aproximadamente 150 km de distância da Capital de MS [Campo Grande], já chegou ao absurdo de ter mais de 50% da população com a doença.

Diariamente, toneladas de lixo são recolhidas por centenas de carretas. Assim como presidiários, há reincidência de lixo nos locais por onde a limpeza já foi feita. O acúmulo de água provocado pela chuva somado ao descaso de parte da população faz com que o mosquito transmissor da enfermidade seja criado [praticamente] como um animal de estimação. Junto com tuiuiús, araras e jacarés, o bichinho já é um novo símbolo do pantanal.

Uma triste realidade noticiada incansavelmente pela imprensa, que conta agora com o bom senso das pessoas. A ordem agora é subtrair: eliminar qualquer possibilidade de proliferação do mosquito e da doença. Multiplicar, só se for esforço humano. Somar, só se for idéias. Dividir, só as tarefas e responsabilidades.

Temos que acabar com essa história de divulgar o Estado somente pelas coisas ruins. Isso só acentua a idéia equivocada de que MS é uma periferia dentro do Terceiro Mundo. Essas estatísticas, dignas de Guines Book, não nos interessa. A exatidão dos números é mera formalidade de uma circunstância a ser mudada.

Dessa vez é necessário uma tabuada humanizadora...

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Caldo de ideias

Na vasta experiência do dicionário, “Mistério”, em um de seus significados, corresponde a “tudo que a inteligência humana é incapaz de explicar ou compreender”. Ao meu modo, significa um atestado de incompetência [necessário diante de coisas que não exigem explicação, mas não deixa de ser incompetência]. Numa forma arrogante, calculada e racional de dizer que o homem não é capaz saber sobre tudo, inventaram a tal palavra.

“Pra sempre” é uma noção indeterminada de tempo que não corresponde às expectativas do ser humano. Somos todos imediatistas; queremos tudo “pra agora”, com ou sem planejamento. Não desejamos nem mesmo que sentimentos bons durem tanto tempo, porque só queremos as coisas enquanto estamos vivos e interessa a alguém. É um egoísmo inconsciente que talvez explique tantas guerras e barbáries.

As duas expressões [mistério e pra sempre] me causam muito medo, porque significa que todo conhecimento e situações que você enfrentou para ter o controle da sua vida simplesmente não valem nada. Por mais que você trace seu rumo e planeje seu desenvolvimento estará sempre à disposição do acaso. Isso não tem a ver com fé ou religião, tem a ver com física e condicionamentos proporcionados pelo tal mistério.

Isso me causa angústia e é assim que as coisas funcionam. É como a chuva que não pára de cair porque sabe que preciso ir à padaria.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Fábula

Minha dentista me deve 100 reais. R$ 25 por cada ciso extraído. Se eu tivesse guardado sob o travesseiro esses 4 acessórios desnecessários, a fada dos dentes certamente deixaria algum caraminguá em troca da especiaria. Não bastasse o incômodo do ato cirúrgico, ainda saí no prejuízo. Não tenho certeza se receberei o dinheiro ou se, ao menos, o valor será descontado no restante do tratamento odontológico, mas, embora não seja uma fada, minha dentista tem um par de olhos lindos, cor de mel. Tô tentado a dar um desconto a ela!!!

Por falar historinhas lúdicas, meu futuro como agricultor é uma interrogação persistente. Enquanto o pé de feijão do João cresceu até as nuvens, o pé de mamão que eu plantei há 3 meses não chega nem a 40 centímetros. Existem duas hipóteses possíveis: ou a terra aqui de casa é ruim e o canteiro está mal feito ou esqueceram de dizer o que o cartunista colocou na água do moleque que trocou uma vaca [ou cabra, não me lembro!!!] por meia dúzia de grãos.

Não adianta ser lírico e romântico... O mar não está para peixe, Pequena Sereia e menos ainda para Branca de Neve. A princesa contemporânea, como dizia um professor e amigo meu, não espera um cavalo branco, mas um Glolf preto, rebaixado, com rodas de liga leve e insulfilm lacrado. Mas não posso reclamar da vida, tô mais pra Sherek do que pra príncipe encantado...

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Bicho papão

O bicho pegou esses dias aqui na capital de Mato Grosso do SUL. “Pegou” não, deu um susto. E mais, foram “bichos”, porque foram dois!!! Fazendo justiça à imagem estereotipada e errônea de que os campo-grandenses criam onças, tuiuiús e/ou capivaras como animais de estimação, a sociedade da pacata Capital teve duas surpresas no começo deste ano.

A primeira aconteceu na última sexta-feira, dia 12 de janeiro, quando um dos produtos mais famosos e característicos do Estado resolveu dar as caras. Um boi de dois anos de idade, com porte de 17 arrobas [o equivalente a 225 kg], escapou do frigorífico na hora do abate. O bichinho caminhou por quatro km, chegando ao aeroporto [provavelmente] morto de cansaço. Ao tentar entrar no local, não soube diferenciar a porta de vidro de uma porteira da fazenda, metendo a testa “com tudo” na pobre coitada da porta, que quebrou com o impacto. Puto da cara, o senhor boi fez uns estragos no estacionamento do recinto e saiu doidão pela avenida Duque de Caxias, botando pra correr as pessoas [e curiosos] que estavam passando por ali. Antes de ser abatido, a 100 metros do aeroporto, o animal ainda derrubou dois motociclistas. Testemunhas alegam que o boi estava desorientado, mas que, devido à caminhada, estava em forma!!!

A segunda surpresa aconteceu hoje [18 de janeiro]. Um jacaré do papo amarelo, mais comum na Bacia do Paraná [e ameaçado de extinção] foi encontrado no quintal do Hospital Regional enquanto funcionários aparavam a grama. Apesar do susto, curiosos que estavam por perto aproveitaram a celebridade de apenas dois anos para tirar fotos. Logo em seguida, o Corpo de Bombeiros foi acionado para retirar o meliante de couro do quintal. O coitadinho não precisou virar cinto, bolsa, sapato ou qualquer produto manufaturado.

Nos dois episódios não houve vítimas fatais [a não ser o boi, que virou churrasco].

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Vez em quando...

Às vezes eu penso em coisas absurdas,
coisas que não fazem o menor sentido.
E acho que justamente por isso penso nelas.
A lgo ingênuo, do tipo: quem está dirigindo o meu futuro primeiro carro agora?
Ou: por que pobre de novela nunca tropeça no português?
Será que quando construíram a grande muralha da China não tinha nada melhor a ser feito?
Quem inventou que coelho bota ovos de chocolate? E por que só na Páscoa?
Por que ao invés de dar brinquedos o Papai Noel não dá presente em dinheiro? E por que no Natal? Se ele entregasse os presentes no dia do aniversário das pessoas ele teria o que fazer o ano todo ao invés de ficar à toa engordando.
Penso que isso tudo serve para ser pensado por um desocupado que não consegue dormir. Desocupado não é bem o termo certo. Melhor seria preocupado, porque o mundo gira lá fora...

domingo, 14 de janeiro de 2007

Começo de Pontos de Vista

Eu acho que texto bom é texto simples.
Nada de palavras rebuscadas que exigem o acompanhamento de um dicionário para entender e terminar a leitura de cada frase, oração ou período.
O texto tem que ser entendido por si só. Quem está lendo tem que entender logo de cara o que a ponta do lápis quer dizer, expressar. Se quem escreve quer se comunicar, então deve fazer-se entender. Caso contrário é deboche!
Mas, representando outra espécie de “escrivinhação”, é claro que devaneios são bem vindos e necessários, e estes [que não precisam de vocabulário confuso] são bem mais charmosos que textos informativos. Textos subjetivos também precisam ser entendidos, a diferença está na pluralidade da compreensão textual.
Até errar hoje em dia é mais fácil! Não que já não fosse [até porque com tantas regras é impossível não falhar], mas dava medo. Agora perdemos a vergonha na cara. Perdemos de vez!
A internet facilitou a comunicação: quebrou barreiras; acelerou o processo; fez inclusão social; divulgou e fez notar-se. Todos escrevem. Pouco, muito; sobre tudo, sobre nada. Mandam fotos, fazem desenhos. Fazem matérias, notícias, recados e confissões. Trabalham, estudam e batem papo. Coisas lindas, diferentes, importantes – nem tanto. Tudo está lá e de qualquer forma.
Haja licença poética!!!
Sejam bem vindos!!!