terça-feira, 5 de maio de 2015

As [des]vantagens de ser invisível

Uma hora você está ali.

Mas não existe.

As pessoas notam, mas não comentam. É a praticidade do silêncio, mas sem o seu conforto.

É a sua câmera que dispara a foto. O para-brisa do seu carro é a moldura. 

Tem seu coração naquele instante. Mas não é suficiente.

Sua participação é incidental. Não há nada que comprove, mas sua intuição diz que se não fosse a parte pragmática da coisa [a carona, a ajuda, o ombro] você não seria necessário.

Há o desafio de ser honesto com o que se quer da vida. E há a desonestidade do que a vida te oferece e você, ordinariamente, aceita.

Uma hora você já não está mais ali.

Já esteve. Talvez, ainda continue. 

Só não faz mais diferença.

Sobram cinco minutos. Você os desperdiça como o gole que fica no fundo do copo e não será usado porque a sede já foi saciada.

Você respira, alinha o peito e acredita estar satisfeito com a decisão que tomou. Todo rompimento é necessário para o recomeço.

Você já foi embora. E ninguém percebeu.

Na verdade, você nunca esteve ali...

terça-feira, 14 de abril de 2015

Canção pra abraçar Aline

Não se afobe não, morena
tudo passa devagar
tudo passa acelerado
cada coisa em seu lugar

Soberano é mesmo o tempo
que ensina a acalmar
o coração que está aflito
com vontade de chorar

Não se afobe não, morena
hoje o dia foi de sol
como olhos que iluminam
feito as luzes de um farol

Hoje o sonho é permitido
e o carinho é a medida
do abraço que te acalma
e do beijo que te brinda

Não se afobe não, morena
já não há o que temer
enquanto voa o beija-flor
faço um poema pra você

Não se afobe não, morena
tudo isso vai passar
não há dor que seja eterna
meu amor vai te ensinar

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Aconchego de Brasília

Era a seca planejada
projetada sem esquinas
era palco com guerreiros
e trincheira com artistas

Era estrofe inacabada
que o poeta escrevia
sob as luzes de estrelas
com certeza indefinida

Era sonho prometido
de tamanha ousadia
habitando os ministérios
e os mistérios desta ilha

Eram eixos, superquadras
Esplanada, tesourinhas
e um lago para o alento
do calor que entorpecia

Era vida insistente
num lugar que não havia
outra chance pra dar certo
sem a fé que persistia

Era o verbo a conjugar
o futuro que previa
os encontros necessários
no aconchego de Brasília

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Embora

Vai levar o tempo embora
como a dança que acaba
como o sonho que termina
e a chance que se esgota

Vai deixar o seu abraço
que ficou pela metade
feito a sobra de ousadia
na coragem do covarde

Vai custar passar as horas
e o sono ter efeito
vai faltar alguma peça
no amor que era perfeito

Vai faltar a melodia
na canção inacabada
por capricho do destino
que navega em água rasa

Vai embora feito sombra
que deixa a luz ficar 
iluminando o caminho
esperando ela voltar

Vai embora por um tempo
até a vida aconchegar
em outro dia o mesmo sonho
que espera o seu lugar

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Noite adentro insônia afora

Da janela do meu quarto
vejo as luzes de Brasília
que clareiam as insônias
solitárias como a minha

Ouço a chuva dando trégua
e o silêncio ser quebrado
pelo alarme que dispara
de um carro estacionado

Eu escuto a coruja
que enfeita a madrugada
como acordes que completam
a canção inacabada

Vejo a lua em seu mistério 
anunciar em serenata
a riqueza do tesouro
no navio que naufraga

Sinto o tempo fazer graça
de pirraça com o sono
que escapa sem motivo
como a sorte de seu dono

Sinto o cheiro da manhã
e o cansaço que antecipam
outra noite de insônia
sob as luzes desta ilha

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

No abraço de criança

Qual a hora da verdade
o que tem mais importância
o que é maior que o amor
e toda a sua irrelevância

O que é especial
ou merece tolerância
será a nossa inocência 
ou a nossa ignorância

Onde o vento já não chega
e o tempo não avança 
o finito não se conta 
o favor que é cobrança

O que finge ser perfeito
pelo jeito não se banca
feito ouro sem garimpo
ou herdeiro sem herança

Qual a data do passado 
que o futuro não alcança 
qual o alvo que se acerta
com a flecha da lembrança

O que é definitivo
qual o ritmo da dança
porque a vida é improviso
no abraço de criança

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Quase nunca

Às vezes
quando o tempo perde a hora
o futuro é agora
e cansaço é solidão

Às vezes
o destino é desencontro
quase nunca é tempo todo
e amor é empolgação

Às vezes
quando faltam as palavras
quase ditas, esgotadas
só pensadas, sem sentido

Às vezes
quando fico meio bobo
perco a voz ou fico rouco
quase fico divertido

Às vezes
é a sombra que aponta
o que a luz não se deu conta
de mostrar o que faltava

Às vezes
é a curva da estrada
que te salva da emboscada 
que o destino preparava

Às vezes
alegria passageira
de vizinha fofoqueira
é novidade envelhecida

Às vezes
o acaso é o motivo
de alguma raridade
que acontece todo dia

Às vezes
quando a vida já não anda
porque falta na ciranda
o abraço da criança

Às vezes 
é a sorte que me falta
como um deus que perde a calma
com a falta de esperança

Às vezes
a mensagem encabulada
da pessoa inesperada
é respiro que renova

Às vezes
dá saudade de um tempo
das lembranças que o vento
como pipa, leva embora

domingo, 2 de novembro de 2014

Tudo de novo


Sabe quando o tempo desafia
e insiste em não passar
e a novidade é a lembrança
que já estava em seu lugar

como as tardes de domingo
é assim que eu me sinto

Sabe quando a madrugada avança
e o sono vai embora 
e a coragem que faltava
chega tão fora de hora

o seu sonho esquisito
é o mundo que habito

Do jeitinho como a vejo
e a beijo em meus sonhos
devagar
como a embalo em meu abraço

Como a urgência que eu tenho
por você o tempo todo
um dia desses
vou viver tudo de novo

Lembra a certeza que eu tinha
com o futuro em minhas mãos
era vontade insistente
que percorria a contramão 

do bom senso que gritava
os sinais que a vida dava

Chega o lamento é o canto
que não merece ter a voz
não representa o universo
do amor que havia entre nós

o amor que eu desejo
só descubro em seus beijos

Do jeitinho como a vejo
e a beijo em meus sonhos
devagar
como a embalo em meu abraço

Como a urgência que eu tenho
por você o tempo todo
um dia desses
vou viver tudo de novo

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Coração de menina

Seu coração de menina
Que faz de brinquedo o tempo
Carrega coragem de sobra
Confia e guarda segredos

Coração de menina é o seu
Que abraça com sinceridade
Abraço que cura sorrisos
Abraço que deixa saudade

Ensina caminhos bonitos
Lições que eu desconhecia
Sereno como um bom amor
É o seu coração de menina

O canto embaixo de chuva
Perfeito poema sem rima
Escada para o horizonte
Encontros em cada esquina

Passeio de fim de semana
Criança sorrindo pra vida
Serestas pelas madrugadas
Desejo ao seu coração de menina

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Tardes de domingo

Hoje o dia está estranho
e não há o que fazer
já não há o que ser dito
nem história a reescrever 

Não há causa sem efeito
feito sorte sem promessa
dia estranho, esquisito
e não é de brincadeira

E não é de brincadeira
essa tristeza passageira
começou há um segundo
e vai durar a noite inteira

Hoje o dia está estranho
e me sinto esquisito
sabe as tardes de domingo?
é assim que eu me sinto

Feito a sombra inexistente
abandonada pelo sol
que procura o seu abrigo
rastreando algum farol

Sei que a tristeza é passageira
de mal gosto e corriqueira
sem fazer qualquer sentido
vai doer a noite inteira

E não é de brincadeira
mesmo sendo corriqueira
certa hora vai embora
embora doa a noite inteira

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Quando falta o assunto

De todas as formas
por todos os lados
um tiro certeiro
no alvo errado

Um pouco de tudo
junto e misturado
a fome que enche
o fundo do prato

O seu olhar para baixo
quando falta o assunto
deixa entrar o silêncio
que até hoje escuto

A chance perdida
o caminho trilhado
a hora do beijo
no tempo esgotado

A mensagem que falta
no verso inacabado
não traduz o desejo
do poeta calado

O seu olhar para baixo
enquanto peço perdão
é a nota que falta
mas completa a canção

O convite aceito
pra um filme ruim
a confissão que esconde
uma parte de mim

A discrição barulhenta
o exagero contido
a saudade que aumenta
com o tempo perdido

O seu olhar para baixo
enquanto escuta a canção
deixa escapar um sorriso
que eu já conheço

terça-feira, 10 de junho de 2014

Rascunho de poesia

Sou um doido que canta uma coisa qualquer 
Pra tentar ser inteiro - ou o melhor que puder
Sou o que não se sabe ou o que já se esqueceu
A saudade que fica do amor que morreu

Sou a caixa vazia das suas lembranças
De um tempo feliz, de integridade sacana
A edição de um filme feito em cima da cama
Honestidade fingida, suavidade profana

Sou a vela que acaba, a luz que se acende
A estrada molhada, o calor do acidente
Sou o prato vazio da fome que só aumenta
A sobra da escassez, o amor que alimenta

Sou o dinheiro que acaba, a dívida que aumenta
O sonho que entala na passagem estreita
Sou o tempo esgotado, a falta de sorte
A brisa da madrugada, a cicatriz de um corte

Sou a metade de um papel com a confissão de um crime
Sou a caneta sem tinta que assina a sentença
Diferente do que fui ou serei
Menor do que quero e maior do que sonhei

Sou a metade de uma esquina 
Que não sabe pra onde vai e nem onde termina
Rascunho de poesia...

sábado, 7 de junho de 2014

O olhar da meia noite

Olho a sombra do avião
Feito cobra a rastejar
Como o sonho que persigo
E não consigo alcançar

Eu espero na estação
O trem que não vai passar
Com o futuro que desejo
Indo para outro lugar

Reinvento a nossa história
E vejo a vida acomodar
Em um abraço protetor
O amor que vou te dar

Quase escuto o silêncio
Gritar alto alguns conselhos
Na certeza duvidosa
Em frases curtas de efeito

Eu te vejo ir embora
E não peço pra ficar
Mas desejo que entenda
O que diz o meu olhar

O olhar da meia noite
Que não sabe esperar
Vai dormir pra chegar logo
A hora de te ver voltar

O olhar da meia noite
Que não sabe esconder
A tristeza que confessa
A saudade de você

terça-feira, 13 de maio de 2014

Nas margens do Paranoá

Às vezes - sem fazer esforço
eu fecho os olhos e lembro
do sonho que tive outra noite
de olhos abertos, confesso

Que o tempo que eu tinha nas mãos parecia poesia
e guardava em seus olhos a paz que julguei merecer

Sabores, texturas e cores 
seu cheiro no meu travesseiro
convite de última hora
desejo de um ano inteiro

Passado ganhou de presente um futuro pra nós
e o destino é o tempo verbal que faltou conjugar

Eu sei, pra sempre vou lembrar
do sorriso que pede passagem
pro infinito ou qualquer viagem
da boca e do beijo com gosto de maracujá

Às vezes - com muito esforço
eu tento fazer diferente
procuro em mim as respostas
do que deu errado entre a gente

Nem sempre consigo transpor o que sinto em canção
às vezes duvido que o amor sempre tenha razão

Eu sei, pra sempre vou lembrar
do sorriso que pede passagem
pro infinito ou qualquer viagem
e do piquenique nas margens do Paranoá

Será que o futuro reserva
pra gente caminhos opostos
quilômetros, milhas distantes
ou perto - do jeito que eu gosto

Será que o que era pra sempre agora acabou?
será que é inevitável fugir do amor? 

Eu sei, pra sempre vou amar
o sorriso que pede passagem
pro infinito ou qualquer viagem
e o sonho que tive nas margens do Paranoá

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Dia desses em Brasília

Hoje eu acordei
pensando que seria
melhor deixar passar
como faço todo dia

como fiz na terça-feira
com a tristeza que insistia
mas passou em um segundo
como passa todo dia

Como o Plano desenhado
em linhas retas, sem esquinas
Eixos largos, Esplanada
Superquadras de Brasília

Planejei minha semana
com pretensa alegria
que habita a Catedral
e os Ministérios dessa ilha

Dia desses eu sonhei
com um dia colorido
e comecei minha jornada
a caminho do infinito

E nas trilhas do futuro 
eu fiquei meio perdido
como quem esquece a vida
em um dia esquisito

Mas não vou deixar passar
em catarse suicida
a euforia em mim guardada
acumulada ao fim do dia

Da janela do meu quarto
vi minha vida convencida
que meu espaço no Planalto
é no abraço de Brasília

Nas margens do Paranoá
quase como brincadeira
vou celebrar o fim de semana
mesmo sendo quinta-feira...

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Sobre as linhas da tua mão

Sabe quando as nuvens se dispersam
e o céu fica mais claro
sobra luz no horizonte
onde os anjos se exibem

Sabe quando a dança te envolve
e o corpo fica leve
o silêncio é a resposta 
que faltou alguém dizer

Sobre as linhas da tua mão
desenhei minha jornada
desejei a caminhada 
rumo ao teu coração

Mesmo que a diferença grite alto
e a intuição perca o instinto
há razão para esse encontro
em nosso mundo colorido

Mesmo que o sol brilhe mais fraco
com você faço sentido
e o infinito é o tamanho 
do desejo que eu sinto

Sobre as linhas da tua mão
desenhei minha jornada
desejei a caminhada 
rumo ao teu coração

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Sentipensar


A insegurança é uma escolha sem critério
começar de novo [e velho]
esperando a solução
É o risco de ficar encabulado 
com um abraço inesperado
antes de pedir perdão

A esperança é a dor de quem espera
Emoldurado na janela
a depender de novidades
É o suspiro que renova o compromisso
a ser cobrado [ou já assumido]
sem qualquer intimidade

A solidão é consequência indesejada
quando se aprende nada
com a vida que passou
É o carinho que ficou pra outra hora
saudade de quem foi embora
e nunca mais voltou

A frustração é uma ideia ultrapassada
feito vista embaçada
que demora a passar
É o tiro que saiu pela culatra
insistência que acabou em nada
intuição a naufragar

O desencontro é um tipo de castigo
descontrole do destino
é a sorte a lamentar
É encontrar com a pessoa por acaso
no parque em dia nublado
quando sai pra caminhar

A nostalgia é reprise de novela
reciclar notícia velha
fim de tarde de domingo
É o segredo que não faz mais diferença 
é a religião sem crença
feito pássaro sem ninho

A alegria é um frio na barriga
de coragem suicida
que se impõe sem explicar
É a vontade de gritar bem alto e forte
que amor exige sorte
mas tem que se reinventar

A euforia é qualquer coisa parecida
com vontade reprimida
que precisa extravasar
É a travessura do romântico convicto
que enxerga o mundo mais bonito
tendo alguém pra cortejar

A poesia é pensamento de maluco
inconformado com o mundo
que parece enlouquecer
É a explicação sem ter sentido e inconsistente
mas convence facilmente
quem não tem o que perder

O amor é o presente mais nobre
que desfruta só quem pode
ou quem fez por merecer
É a ternura no sorriso da criança
o movimento de quem dança
é a vontade de viver

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Impressões

Ela sorri o tempo todo
deve ser muito feliz
pode ser coincidência
ou uma escolha que ela fez

Ela sorri o tempo todo
por surpresa ou alegria
por sarcasmo ou desespero
gentileza ou ironia

O tempo todo ela sorri
como quem pede passagem
a caminho do infinito
ou qualquer outra viagem

Seu sorriso lava a alma
ilumina outros caminhos
se distrai, por um instante,
volta a si sempre sorrindo

Como a sina de uma vida
que combina arte e beleza
seu sorriso é o futuro
que não sai da minha cabeça

Feito a rima de um poema
que alenta o coração
seu sorriso é o acorde
que completa a canção


*Vasculhar rascunhos e re-assistir a vida...

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Meninices

Dos poemas que escrevi
das histórias que contei
das canções que eu compuz 
e do amor que cultivei

tudo foi perfeito
e foi feito pra você

Do acaso programado
à certeza indecisa
da alegria cabisbaixa
à tristeza otimista

Um encontro inevitável 
entre ruas sem esquinas

Da coragem suicida
aos gritos abafados
da verdade inventada
ao segredo escancarado

Tudo fez todo sentido
feito risco calculado

Do discurso distorcido
ao anúncio impactante
da lucidez desconfortável
ao delirio reconfortante

Foi bonito, infinito
e vou lembrar a cada instante...

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Doses homeopáticas

Morar sozinho deixa as pessoas com algumas manias. 
Fiquei com várias. 
Estou me curando. Mais rápido do que pensei que seria. Mais lento do que a urgência de uma transformação exige.
É assim mesmo. Nem bom ou ruim. Só é.

A verdade é que você aprende a se relacionar de acordo com as urgências que tem. E como viver é urgente, tudo é prioridade.

[...]

Na real, comecei a escrever esse texto pensando em dizer que ninguém deve aceitar um amor menor que o próprio. Pretendia falar que relacionamento cheio de joguinhos, regras, observações, reticências e melindres não é amor. Sequer, paixão.

Mas, enfim, acabei me perdendo nas ideias.

[...]

Já que me perdi no raciocínio, larguei mão da lógica que daria coesão a esse post.

[...]

Vez ou outra, sem grande esforço, lembro da infância que tive. Não é mais como um filme que passa pela cabeça. São pequenas observações. Esquetes. 

Lembrei que, com 4 ou 5 anos de idade, eu utilizava embalagem vazia de amaciante de roupa como guitarra. Era o cúmulo da imaginação. Engraçado como a música sempre esteve presente em casa, assim como o jornalismo, mas, ao contrário do texto, a melodia nunca virou meu ganha pão...